MP pede prisão preventiva para Lacerda Machado e Vítor Escária

Medidas de coação para os detidos no âmbito da Operação Influencer serão conhecidas apenas amanhã.
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O Ministério Público pediu prisão preventiva para Lacerda Machado e Vítor Escária, avança a SIC Notícias.

Para Rui Neves e Afonso Salema, o MP pediu o pagamento de caução.

Durante a tarde, os advogados irão proceder à contestação. Só depois, o juiz irá determinar as medidas de coação a aplicar a cada um dos detidos, as quais só serão conhecidas amanhã, segunda-feira, pelas 15h00.

A operação de terça-feira do Ministério Público levou à detenção de cinco pessoas para interrogatório: o chefe de gabinete do primeiro-ministro, Vítor Escária, o presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas, dois administradores da sociedade Start Campus, Afonso Salema e Rui Oliveira Neves, e o advogado Diogo Lacerda Machado, amigo de António Costa.

No sábado, no final do interrogatório a Lacerda Machado, o advogado Magalhães e Silva admitiu não esperar uma medida restritiva da liberdade para o seu cliente. No entanto, acrescentou que as decisões do juiz de instrução "são como o casamento", ou seja, "uma carta fechada".

O advogado do ex-chefe de gabinete de António Costa, Pedro Duro, por seu lado, disse que "está tudo em aberto", mas acrescentou que não vê justificação para que sejam aplicadas e ficaria "muito desapontado" se o tribunal não acreditasse nas explicações do seu cliente.

Numa comunicação ao país, no sábado à noite, o primeiro-ministro afirmou que o dinheiro encontrado em envelopes no escritório do seu ex-chefe de gabinete lhe suscitou mágoa pela confiança traída, envergonhou-o e pediu desculpa aos portugueses.

"Sem me querer substituir à justiça, em que confio e que respeito, não posso deixar de partilhar com os meus concidadãos que a apreensão de envelopes com dinheiro no gabinete de uma pessoa que escolhi para comigo trabalhar, mais do que me magoar pela confiança traída, envergonha-me perante aos portugueses e aos portugueses tenho o dever de pedir desculpa", declarou.

Vítor Escária, que iniciou as funções de chefe de gabinete do primeiro-ministro em 2020, foi detido para interrogatório na terça-feira e nas buscas judiciais ao seu gabinete na residência oficial de São Bento foram apreendidos 75.800 euros em numerário.

Poucas horas depois, o primeiro-ministro exonerou-o das funções de seu chefe de gabinete e nomeou para este lugar o major general Tiago Vasconcelos.

Quanto a Diogo Lacerda Machado, seu amigo, Costa garantiu que este nunca atuou com o seu mandato no projeto para a construção do Data Center de Sines.

"O doutor Diogo Lacerda Machado há muitos anos que não colabora neste gabinete e não tinha qualquer mandato da minha parte para fazer o que quer que seja neste caso que tenho visto referido no jornal. Nunca falou comigo a respeito deste assunto em circunstância alguma", disse, mostrando-se arrependido de, no passado, o ter referenciado como amigo.

"Apesar de, num momento de infelicidade, ter dito que ele era o meu melhor amigo, aquilo que é a realidade é que um primeiro-ministro não tem amigos. E quanto mais tempo exerce, devo dizer, aliás, menos amigos tem", afirmou.

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