Montenegro afasta Chega, mas assume relação "muito cordial" com Ventura

Líder do PSD considera ideias de Pedro Nuno Santos "retrógradas" e conta com Pedro Passos Coelho na campanha.
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Cerca de uma semana depois de André Ventura ter dito que é amigo de Luís Montenegro, o líder do PSD revelou em entrevista à SIC Notícias que essa amizade é recíproca.

Embora tenha reiterado que só governa com o apoio de PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal, assume que trocou "algumas impressões", ainda que "muito fugazes", com o líder do Chega nos últimos tempos, mas não sobre o pós-eleições. "André Ventura pertenceu ao PSD e sempre tivemos uma relação muito cordial e amiga", assumiu.

Acusado de não ter experiência governativa, Montenegro revelou que só não esteve no governo de Pedro Passos Coelho porque não quis e diz que funcionou como uma espécie de 12.º ministro durante essa legislatura, enquanto líder da bancada parlamentar.

"Para esta função é necessária experiência política, mas não é tudo. Tenho também experiência profissional, de vida, contactos internacionais, e uma atividade profissional muito intensa como advogado. Tenho experiência de âmbito local, regional e nacional, já estive em quase todos os concelhos do país. Tenho um conhecimento muito grande do país. Não estive no Governo e poderia ter estado. Foi por opção. No parlamento tive a oportunidade de ter um conhecimento transversal de todas as matérias da governação. Tive necessidade de articular todas as iniciativas legislativas entre 2011 e 2015", afirmou, numa entrevista conduzida em Espinho, de onde é natural.

Quem também é natural de um concelho ali perto é o líder do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, nascido em São João da Madeira. Montenegro diz que as ideias do rival "são retrógradas", recordou o polémico anúncio da localização do novo aeroporto e acusou o candidato do PS de se querer vender como alguém "com poder de decisão". Ainda assim, assume que falará com Pedro Nuno Santos "sobre todos os assuntos que forem necessários", tendo ainda recordado que bateu o socialista quando ambos foram cabeças de lista no círculo eleitoral do distrito de Aveiro, nas legislativas de 2011.

Sobre as eleições, admite que "ainda há muita gente que não está convencida em votar no PSD e mudar de Governo" e assume que os sociais-democratas têm "de ser esclarecedores nestes meses que faltam", confiando naquilo que nota no terreno: "Sinto que quando estou pessoalmente com as pessoas elas acabam por se abrir e aderir"

Preparado para se mudar para Lisboa, recorda que "houve governos sem maioria que duraram toda uma legislatura", e que por isso garante que se o PSD ganhar as eleições formará "Governo e depois far-se-ão as contas", não esclarecendo se vai viabilizar um Governo do PS se perder eleições.

Certo é que, se o PSD não for o mais votado, não vai governar, rejeitando uma geringonça à direita.

Focado em ser alternativa ao socialismo que "desgovernou" Portugal, não revela se vai deixar a liderança do partido em caso de derrota a 10 de março, mas quer contar com um dos antigos líderes do PSD, Pedro Passos Coelho: "Claro que quero e conto com ele e com todos os outros da maneira que entenderem. Não tenho dúvidas que todos eles têm o mesmo desejo de ajudar o PSD e de me ajudar a mim a ganhar esta eleição e a folga, com o resultado que nos permita ter uma governação estável."

Proeocupado com os problemas na educação, recorda que falou no reconhecimento da carreira dos professores em setembro, quando "ninguém pensava que ia haver eleições", e avança que o grupo de trabalho que o PSD formou "vai apresentar conclusões provavelmente antes das eleições" sobre a localização do novo aeroporto.

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