Maria de Medeiros e Bulle Ogier põem "Um Amor Impossível" em palco em Barcelona

Barcelona, Espanha 31 jan (Lusa) - A atriz portuguesa Maria de Medeiros e a francesa Bulle Ogier tomam o Teatro Lliure de Barcelona, Espanha, a partir de sexta-feira, com a peça "Un amour impossible", que ambas estrearam em Paris em 2016.
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A peça resulta de uma adaptação teatral do romance da escritora francesa Christine Angot, feita pela própria autora, e Maria de Medeiros escolheu trabalhar com Bulle Ogier, a protagonista de "Mon Cas" (1986) e "Belle Toujours" (2006), de Manoel de Oliveira, que considera "uma atriz mítica do cinema francês e não só", como afirmou à Lusa, quando a peça esteve em cena no Odéon Théâtre de l'Europe, em Paris, França.

"Um Amor Impossível" aborda a difícil história de amor entre uma mãe, Rachel, e uma filha, Christine, que, reunidas após anos de conflito, evocam um passado que as separou, "uma tragédia moderna", tendo como pano de fundo os abusos do pai à filha.

"Há várias interpretações, obviamente. Será o amor entre a mãe e a filha que é difícil de recompor depois de que a verdade vem à tona, quando a mãe se dá conta do horror que a filha viveu? Como recuperar esse amor que é absolutamente imenso?", descreveu Maria de Medeiros.

O título faz também referência ao "amor impossível" entre Christine e o pai, assim como à relação entre Rachel e o companheiro, oriundos de classes sociais diferentes e que vivem também "um amor impossível", explicou a atriz, que vai interpretar o papel da filha, a própria escritora Christine Angot.

Bulle Ogier interpreta a mãe, uma mulher judia de classe baixa.

"Fazer o papel de uma pessoa que está não só viva, mas vivíssima, é muito complexo. Uma pessoa que se autodescreve nos seus livros. E encarnar essa pessoa já é complicado, mas depois faço o papel dos 8 anos aos 50. Sempre adorei interpretar as crianças, mas devo dizer que fazer de uma criança de 8 anos é cansativo, porque exige muita correria, muitos saltos, já começa a ser uma coisa assim atlética", contou a atriz à Lusa, entre sorrisos.

Desde a estreia, em 2016, a peça tem sido apresentada pelas duas atrizes em diferentes palcos em França.

Em Barcelona, a peça vai ficar em cena até domingo.

A atriz, que entrou em "Pulp Fiction", de Quentin Tarantino, e "Henry and June", de Philip Kaufman, vive entre Paris e Barcelona, e, como disse à Lusa, aquando da estreia da peça, tem "muitas saudades de Portugal", mas considera que os portugueses sabem "conviver com a saudade" e fazer dela uma "art de vivre".

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