Livro conta a vida louca dos presidentes de Portugal

Três autores - Orlando Leite, Raquel Oliveira e Sónia Trigueirão-, escrevem "a história que faltava contar" de "a vida louca" dos dezanove homens que desde 1910 assumiram a chefia do Estado.
Publicado a
Atualizado a

"A vida louca dos Presidentes de Portugal -- A história que faltava contar", editado pela editora Marcador, assinala, na lista presidencial, o general José Mendes Cabeçadas Júnior, que liderou o golpe de Estado de 28 de maio de 1926, e António de Oliveira Salazar, que assumiu as funções interinamente de 18 de abril a 21 de julho de 1951, após a morte de Óscar Carmona e antes da eleição de Craveiro Lopes, afirmando os autores na introdução que "muitas vezes agiu como um presidente da República, na sombra de quem oficialmente ocupava o cargo" de presidente de Conselho de Ministros, o chefe do governo.

"Não foram poucas as vezes que, no exercício do cargo [de Presidente do Conselho, Salazar] dirigiu os destinos do país, ora pondo a máscara de chefe de Governo ora a de chefe do Estado", referem.

Mendes Cabeçadas ocupou o cargo de 31 de maio a 17 de junho de 1926, e é descrito pelos autores como "pessoa afável, cheia de energia e uns olhos azuis muito vivos".

A obra, que será apresentada no dia 17 de outubro às 19:00, por Miguel Ganhão, na FNAC Colombo, em Lisboa, faz destaca "o lado menos conhecido" das 19 personalidades.

Os autores, que assinaram anteriormente "A vida louca dos Reis e Rainhas de Portugal", afirmam que, nesta obra, o olhar sobre os presidentes não foi tanto "a transgressão de valores morais e sociais", tendo antes valorizado outros aspetos, "por se tratar de figuras mais recentes da nossa história".

"Percorre-se a história presidencial através dos factos mais relevantes que marcaram cada Presidência, dando especial ênfase aos presidentes da República enquanto personalidades inseridas no seu tempo", escrevem os autores.

Manuel de Arriaga é o primeiro Presidente da República, eleito pelo parlamento em agosto de 1911.

Arriaga "estava destinado a ser o primeiro presidente da República", escrevem os autores, fazendo eco de uma notícia de um grupo espírito que, numa sessão, em 1882, foi "informado pelo espírito de D. Sebastião de que 'será a República Portuguesa implantada pelas armas, sendo seu presidente o Dr. Manuel de Arriaga, tendo a nação prosperidade com o Governo republicano'".

Da proclamação republicana a 05 de outubro de 1910 até 24 de agosto de 1911, presidiu à República um Governo provisório dirigido por Teófilo Braga.

Todavia, "Teófilo Braga, se não tivesse sido favorecido pela saúde, nunca chegaria a presidente da República aos 72 anos", quando tomou posse do cargo, sucedendo a Arriaga que, numa entrevista a Augusto de Castro, se afirmou como "um criminoso político".

Os autores vão listando e biografando os diferentes presidentes até ao atual, Aníbal Cavaco Silva, cujo retrato que traçam é o seguinte: "Sério, de ar autoritário e sem margem a intimidades, 'o nosso homem do leme', Cavaco Silva, só teve de abandonar esta compostura quando estava em causa ganhar eleições", altura em que "sorria, dava beijos a miúdos e a velhinhas e até subia ao tejadilho dos carros".

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt