Líder português da Igreja Maná regressou a Luanda após encerramento de 2008

O apóstolo Jorge Tadeu, da Igreja Maná, de origem portuguesa, criada em 1984, em Lisboa, chegou hoje a Luanda, 11 anos depois de ter estado em Angola e após o encerramento, em 2008, desta congregação religiosa no país.
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A vinda de Jorge Tadeu ocorre na sequência de o Tribunal Supremo de Angola ter considerado nulo o despacho que ordenava, em 2008, o encerramento da Igreja Maná no país, através do decreto de Lei 14/92 no Diário da República n.º 15, 1ª série, de 25 de janeiro.

Naquele despacho, era sustentado que a decisão de revogação do reconhecimento oficial da Igreja Maná tinha a ver com a conclusão de um processo instaurado pelo Ministério da Justiça, em que foram detetadas "violações sistemáticas" da lei angolana e da ordem pública.

Há também informações que apontam o encerramento das atividades por supostas críticas feitas por Jorge Tadeu à governação angolana, na altura.

Em declarações à imprensa à sua chegada, Jorge Tadeu expressou a sua satisfação por poder regressar a Angola, para trazer aos angolanos "a palavra de Deus, colaborar com o Governo e levar o povo a orar por este momento histórico", que o país vive.

"Estou muito feliz por estar aqui, como é evidente, estou muito alegre, no meu coração houve sempre um grande amor pelos angolanos e também pela recetividade", salientou Jorge Tadeu à chegada para uma visita de sete dias para revitalização da igreja.

Jorge Tadeu considerou "de grande mudança" os novos tempos que Angola vive e que "criou grandes expectativas, com certeza, em todo povo, mas em todo o mundo".

"Na Europa fala-se muito bem dessa coisa nova que está a acontecer, então eu venho para levar também o povo à concordância, o poder da concordância, o poder da oração, para que haja um tempo novo, em que Deus vai fazer coisas ainda maiores", frisou.

Uma das polémicas em que a Igreja Maná esteve envolvida, espoletada em 2007, foi a suspensão do bispo José Luís Gamboa, por alegado desvio de fundos que teriam sido doados pela petrolífera angolana Sonangol, no valor de um milhão de dólares, para a construção de uma escola.

Em resposta, na altura, o bispo Joaquim Muanda, que substituiu José Luís Gamboa na liderança da Igreja Maná em Angola, com cerca de 600 mil fiéis e mais de 500 casas e templos em nove províncias, disse publicamente que não havia provas de que esse dinheiro fosse fruto de uma doação da Sonangol, onde o seu sucessor trabalhava.

Em 2016, oito anos depois, os juízes do Tribunal Supremo de Angola, em reposta ao recurso interposto por aquela confissão religiosa, declararam nulo o ato de encerramento da Igreja Maná.

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