Zelensky admite tropas russas em Bakhmut, mas nega ocupação

Também a vice-ministra da Defesa ucraniana já veio dizer que o avanço das suas tropas torna "muito difícil" a presença do exército russo na cidade.
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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, admitiu este domingo que as tropas russas estão em Bakhmut mas, apesar de Moscovo dizer que controla a cidade, insistiu que esta localidade do leste da Ucrânia "não está ocupada".

"Hoje estão em Bakhmut", admitiu Zelensky numa conferênica de imprensa durante a cimeira do G7, em Hiroshima, acrescentando que a cidade "não está ocupada pela Rússia".

"Não posso partilhar as visões táticas de nossos militares. A coisa mais difícil seria se houvesse algum erro tático em Bakhmut e o nosso povo estivesse cercado", disse o presidente ucraniano, desmentindo os russos , que no sábado anunciaram terem capturado totalmente a cidade após uma longa batalha.

Hanna Maliar, vice-ministra da Defesa ucraniana, também veio dizer que o cerco parcial de Bakhmut pelas forças ucranianas, depois de a Rússia ter reivindicado a tomada total da cidade do leste da Ucrânia.

"O avanço das nossas tropas para os flancos nos subúrbios, que ainda está a decorrer, torna muito difícil a presença do inimigo em Bakhmut", disse Maliar na rede social Telegram, citada pela agência francesa AFP.

"As nossas tropas cercaram parcialmente a cidade, o que nos dá a oportunidade de destruir o inimigo. É por isso que o inimigo, na parte da cidade que controla, tem de se defender", acrescentou, segundo a agência ucraniana Ukrinform.

A conquista total de Bakhmut foi anunciada, no sábado, pelo chefe do grupo paramilitar russo Wagner, Yevgeny Prigojin.

A informação foi confirmada posteriormente pelo Ministério da Defesa da Rússia e saudada pelo Presidente Vladimir Putin.

Já hoje, o Ministério da Defesa da Rússia reafirmou, em comunicado citado pela agência oficial TASS, "a libertação da cidade de Artemovsk", usando o nome russo de Bakhmut.

Em Hiroxima, onde se deslocou para participar na cimeira das sete democracias mais industrializadas (G7), o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, respondeu de forma ambígua a uma pergunta sobre Bakhmut.

Inicialmente, a resposta de Zelensky foi interpretada como uma admissão da perda de Bakhmut, mas o seu porta-voz clarificou posteriormente que o líder ucraniano dissera que achava que a cidade ainda não estava sob controlo total dos russos.

"Para já, Bakhmut existe apenas nos nossos corações. Não há lá nada", acrescentou Zelensky, à saída de um encontro com o homólogo norte-americano, Joe Biden, na cidade do oeste do Japão.

Também o exército ucraniano, na avaliação operacional divulgada hoje, ainda não considera a cidade perdida.

"No eixo de Bakhmut, o inimigo continua as operações ofensivas e os combates pela cidade continuam", disse hoje o estado-maior ucraniano, citado pela agência espanhola Europa Press.

As informações sobre o curso da guerra divulgadas pelas duas partes não podem ser confirmadas de imediato de forma independente.

Situada a 55 quilómetros da capital da região de Donetsk, Bakhmut tinha cerca de 80 mil habitantes antes da guerra iniciada pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022.

Apesar de não ser considerada uma cidade estratégica, a batalha por Bakhmut assumiu uma importância simbólica para ucranianos e russos, que perderam um grande número de soldados em oito meses de combates.

A batalha por Bakhmut tem sido considerada como a mais longa e mais sangrenta da guerra da Rússia contra a Ucrânia, com uma balanço por determinar, à semelhança de todo o conflito.

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