Kiev alerta para perigo dos mísseis iranianos

Ucrânia recebe sistemas de defesa eficazes contra drones e mísseis de cruzeiro, mas não contra os balísticos que Moscovo espera.
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O dia foi de regozijo, ainda que parcial, para o governo ucraniano, ao anunciar a chegada de sistemas de defesa aérea, mas a informação perdeu algum do brilho depois de os serviços de informações militares terem confirmado que a Rússia está prestes a receber mísseis balísticos do Irão.

O ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksi Reznikov, anunciou a chegada dos sistemas de defesa terra-ar NASAMS (da Noruega e EUA) e Aspide (fabricado em Itália), dias depois do sistema IRIS-T fornecido pela Alemanha. "Os sistemas de defesa aérea NASAMS e Aspide chegaram à Ucrânia! Estas armas irão reforçar de forma significativa o exército ucraniano e tornarão os nossos céus mais seguros", disse o ministro nas redes sociais, que agradeceu à Noruega, EUA e Espanha.

O governo de Pedro Sánchez enviou um sistema Aspide enquanto os outros dois países entregaram os primeiros dois de oito NASAMS.

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Apesar destes reforços, a capacidade para a Rússia continuar a atacar com sucesso alvos civis e infraestruturas mantém-se, tendo em conta a extensão do país e o alcance de cada um destes sistemas. Exauridas de reservas de mísseis, as forças armadas russas compraram drones iranianos - depois de vários desmentidos, Teerão acabou por confirmar a transação no sábado - que têm sido usados nas últimas semanas para atingir até 40% das infraestruturas de energia do país.

As defesas ucranianas melhoraram a taxa de interceção ao longo dos ataques e no último que atingiu Kiev 80% dos drones e mísseis foram inutilizados. Mas os que atingem os alvos são suficientes para causarem apagões e consequentes restrições ao uso de energia em toda a Ucrânia, o que levou a apelos das autoridades para a poupança de energia e avisos de que os próximos meses podem ser muito complicados, em especial em Kiev.

DestaquedestaqueO diretor-adjunto da secreta militar ucraniana adiantou que os mísseis iranianos seguirão por via aérea para a Crimeia e por via marítima para o mar Cáspio.

Agora o perigo é outro. Os serviços de informações militares ucranianos dizem que Moscovo prepara-se para receber mísseis balísticos Fateh-110 e Zolfaghar do Irão. "Sabemos que os preparativos já estão feitos", disse à The Economist Vadym Skibitskiy, o número dois da secreta militar. Detalhou inclusive que os mísseis iranianos seguirão por via aérea para a Crimeia e por via marítima para portos russos no mar Cáspio. Skibitskiy também afirmou que, perante este tipo de míssil, as defesas aéreas não são eficazes. À revista britânica, Skibitskiy deu o exemplo dos mísseis Iskander: em outubro, os russos lançaram 25 contra a Ucrânia, e só três foram intercetados.

Em Kiev há expectativa quando ao novo governo israelita. Benjamin Netanyahu manteve boas relações com Vladimir Putin, mas a entrada de Teerão na guerra, enquanto fornecedor de armamento, pode levar a um reposicionamento de Telavive.

Na frente diplomática, a aproximação das eleições intercalares nos Estados Unidos levantou algumas interrogações sobre a continuidade do apoio de Washington, caso os republicanos alcancem a maioria nas duas câmaras do Congresso. A porta-voz da Casa Branca Karine Jean-Pierre disse que o apoio dos EUA à Ucrânia continuará a ser "inquebrantável e inabalável" vença quem vencer.

cesar.avo@dn.pt

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