EUA ganham recurso e Julian Assange fica mais perto da extradição

Um tribunal britânico deu razão aos Estados Unidos no recurso apresentado.
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O governo dos EUA conseguiu esta sexta-feira uma vitória no processo contra Julian Assange ao ver um tribunal britânico aprovar a extradição do fundador do WikiLeaks para que seja julgado pela publicação de documentos secretos.

Em primeira instância, em janeiro, a justiça britânica recusou a extradição do australiano, de 50 anos, alegando o risco de suicídio se fosse levado para os Estados Unidos.

Numa audiência de dois dias realizada em outubro, os advogados norte-americanos argumentaram que o juiz original não tinha dado peso suficiente ao depoimento de um especialista sobre o estado mental de Assange. Além disso, asseguraram ao tribunal britânico que o fundador do WikiLeaks receberia tratamento adequado nas prisões norte americanas.

As garantias dos EUA de que Assange não enfrentaria as medidas mais rígidas antes de qualquer julgamento ou após a condenação foram suficientes para garantir esta vitória no recurso.

O Tribunal Superior [High Court] de Londres ordenou ao juiz de primeira instância para que envie o pedido de extradição à ministra do Interior britânica para ser avaliado.

Cabe à ministra do Interior, Priti Patel, supervisionar a aplicação da lei no Reino Unido e tomar a decisão final sobre a extradição.

No entanto, a decisão do tribunal de recurso proferida esta sexta-feira deverá ser objeto de novo recurso, pelo que é pouco provável que seja o fim desta longa batalha judicial.

Tendo agora ganho, a decisão de janeiro será anulada e a Justiça britânica terá de se pronunciar novamente. Quem perder terá a opção de recorrer ao Tribunal Supremo.

A justiça norte-americana quer julgar o australiano por este ter divulgado, desde 2010, mais de 700.000 documentos confidenciais sobre atividades militares e diplomáticas dos EUA, principalmente no Iraque e no Afeganistão.

Julian Assange é acusado pela justiça dos EUA de 18 crimes, incluindo espionagem, arriscando até 175 anos de prisão caso seja considerado culpado.

Assange está atualmente detido na prisão de segurança máxima de Belmarsh em Londres.

Antes, o fundador do WikiLeaks esteve refugiado durante sete anos na Embaixada do Equador em Londres, de 2012 até abril de 2019, quando as autoridades equatorianas decidiram retirar o direito de asilo concedido e as autoridades britânicas o detiveram.

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