"Sinto que foi um percurso longo, com muita luta, porque neste país é um bocadinho difícil fazer carreira. Pelo menos, 20 anos já consegui cumprir. Estou feliz por ainda poder continuar a ter paixão pela música", disse em entrevista à Lusa..Joel Xavier não poupa a indústria musical portuguesa: "Em Portugal não existe mercado, existem umas coisinhas que vão pingando. Falta uma imprensa especialista em música, faltam programas de televisão, locais onde divulgar entrevistas mais específicas"..Sobreviver com um panorama tão negro "é muito difícil", sobretudo para alguém que gosta de se entregar corpo e alma e de trabalhar.."Se uma pessoa estiver na música como um hobbie, tudo bem, mas se se quiser dedicar a cem por cento, acaba por se deparar com uma série de dificuldades que vão desmotivando", assumiu..Joel Xavier apresenta um exemplo prático dos problemas sentidos pelos músicos em Portugal: "Este país é muito pequeno. Nós damos uma volta a tocar nos auditórios que há e poucos sobram. Quando fiz o último CD, o Sarava, há três anos e foi um disco que correu muito bem, toquei em Portugal inteiro"..O êxito, no caso do disco do guitarrista, significou um fechar de portas dos palcos por onde passou.."Se eu hoje for tocar a um auditório de uma câmara municipal, mesmo que corra muito bem, mesmo que o espetáculo esteja esgotado, não vão querer repetir. Preferem que seja outra pessoa. E daqui a dois anos não vão querer repetir, daqui a três também não", contou. .Com um mercado tão fechado e tão "americanizado", para o músico português, persistir e insistir em condições tão difíceis só é possível quando há uma paixão muito profunda pela música..Joel Xavier congratulou-se por ter tido a oportunidade tocar "em concertos internacionais importantes" e ter sido convidado para gravar discos "com pessoas importantes", tendo uma panorâmica geral do mundo, o que, de certa forma, também lhe abriu os horizontes. ."Não fiquei só preso aqui ao nosso pais, o que por vezes até era pior, porque depois de vir de uma digressão de 15 concertos na Alemanha e perceber como as coisas funcionam lá, a maior parte das vezes, chegando aqui a Portugal, era complicado tentar colocar uma máquina em funcionamento que simplesmente não existe", lamentou-se..No entanto, mesmo com "tantas intempéries", o gostar de tocar e o gostar de cantar vão manter Joel Xavier na música durante muitos mais anos.