Irão ordena prisão de duas mulheres alegadamente atacadas por não usar hijab

Um homem derramou iogurte nas duas mulheres que entraram numa loja e não estavam a usar hijab. As autoridades emitiram um mandado de prisão tanto para o homem como para as duas mulheres.
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As autoridades iranianas ordenaram a prisão de duas mulheres, informaram as autoridades judiciais este sábado, depois de um vídeo viral as mostrar a serem atacadas por um homem por não usar hijab.

As imagens amplamente partilhadas nas redes sociais no Irão parecem mostrar as duas mulheres, que não usavam o hijab ou lenço obrigatório, numa loja, a serem agredidas por um homem depois de uma discussão.

O vídeo mostra o homem a derramar o que parece ser iogurte na cabeça das duas mulheres antes de ser confrontado pelo lojista.

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As autoridades emitiram um mandado de prisão contra o homem "sob a acusação de cometer um ato insultuoso e perturbar a ordem", informou o site Mizan Online.

No entanto, acrescentou que os mandados de prisão também foram emitidos para as duas mulheres "por cometer um ato proibido" ao removerem os lenços da cabeça.

"Os avisos necessários foram emitidos para o proprietário da loja onde isto aconteceu, a fim de cumprir os princípios legais e da Sharia de acordo com os regulamentos", acrescentou o site.

Esta situação acontece depois da morte súbita de Mahsa Amini na prisão, em setembro, ter provocado meses de protestos por uma suposta violação do rígido código de vestuário para mulheres.

Centenas de pessoas foram mortas e milhares foram presas em ligação ao que as autoridades iranianas descreveram como "distúrbios" fomentados por Israel e o Ocidente.

No sábado, o presidente iraniano Ebrahim Raisi reiterou os apelos de que as mulheres iranianas devem usar o hijab como uma "necessidade religiosa".

"O hijab é uma questão legal e a adesão a ele é obrigatória", disse.

No final de março, o chefe das autoridades judiciais Gholamhossein Mohseni Ejei disse que "remover o hijab significa inimizade contra valores e que as pessoas que cometem tal anormalidade vão ser punidas".

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