"Habituem-se!"

Publicado a
Atualizado a

António Vitorino afirmou, por mais de uma vez, que o Governo de Sócrates não será formado "na comunicação social e pela comunicação social". Para que não restassem dúvidas, adiantou "Habituem-se!". Sim senhor. Ao contrário do que pretendem alguns jornalistas, cuja histeria corporativa os levou a tomar o desafio de Vitorino como uma declaração de guerra à imprensa, esse é um hábito saudável que deveria ser interiorizado por todos, jornalistas e políticos. Aliás, a discrição com que Sócrates tem conduzido a formação do seu Governo é um sinal positivo que o distingue de toda uma tradição de promiscuidade entre o mundo político e os media. A função da imprensa é noticiar e comentar factos, não fazer totolotos a partir de rumores gratuitos e até absurdos, alimentando o propósito perverso (de jornalistas e políticos) de promover candidaturas cúmplices ou "queimar" nomes indesejáveis.

Mas uma coisa é separar águas e outra coisa é reduzir os media a um papel de papagaios oficiosos das conveniências governamentais. Se um jornalista obtém e confirma com rigor uma informação sobre o futuro elenco de um Governo, o seu dever é, obviamente, publicá-la. Tal como o dever dos responsáveis pela formação desse Governo será o de evitar fugas comprometedoras. Dito isto, um homem tão sagaz como António Vitorino não ignora decerto que o mito de D. Constança está longe de constituir uma mera criação mediática tem sido cultivado no PS, na opinião pública e até pelo próprio Vitorino, que parece extasiar-se com a sua condição de eterno "desejado".

"Habituem-se!". Pois habitue-se também o PS a uma nova relação com os media, tirando as indispensáveis lições de um tristíssimo passado. E reconhecendo, sem hipocrisia, que alguns políticos devem parte da sua notoriedade às relações privilegiadas que cultivaram junto de certos "vendedores de sabonetes" mediáticos.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt