Halder Gomes bate Hollywood com filmes regionais

O Shaolin do Sertão, segundo filme do realizador brasileiro, supera as grandes produções norte-americanas em bilheteira e média de público no estado do Ceará. A receita do sucesso está na história, passada no interior cearense, nos atores e no sotaque nordestino
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A comédia O Shaolin do Sertão, último filme de Halder Gomes, já é um cao de estudo: superou Inferno, a megaprodução de Hollywood com Tom Hanks no elenco, na estreia de ambos no Ceará, estado da região Nordeste do Brasil, cuja capital é Fortaleza e de onde são naturais o realizador e a maioria do elenco. Das 19 salas onde começou a ser exibido, liderou em 18, com uma média de público de 237 pessoas por sessão contra 162 da adaptação para o cinema do livro de Dan Brown. E espera-se que o sucesso seja ampliado quando se estrear em todo o Brasil - para já limitou-se ao estado de origem - e se internacionalizar.

"Pode ser que neste mundo tão globalizado eu tenha descoberto um nicho de mercado, porque é uma comédia muito particular da realidade que eu vivo no dia-a-dia, mas penso que o filme se torna um case study também porque tem um apoio muito grande do povo daqui, que abraça o projeto, que o fortalece, que tem orgulho no seu filme", diz ao DN o realizador de 44 anos. "No entanto", completa, "quando os filmes são feitos com o coração, com paixão, eles têm um diálogo universal, não apenas regional".

Passado nos anos 1980 no interior do Ceará, O Shaolin do Sertão conta a história de Aluizio Li, um padeiro apaixonado por artes marciais que acredita ser um monge de Shaolin, vestindo-se e comportando-se como tal para gozo da vizinhança, e cuja vida pacata é infernizada quando um lutador de vale-tudo anuncia um tour pelo Ceará. A obra é o segundo filme de Halder, seguindo a mesma receita regional. Em 2013, tinha realizado o bem-sucedido (meio milhão de espectadores) e premiado (42 distinções) Cine Holliúdy, outra comédia filmada no Ceará, com uma maioria de atores locais e acentuado sotaque cearense das personagens, sobre Francisgleydisson, o proprietário de um cinema que sofre com o advento da televisão, e cujo intérprete é Edmilson Filho, o mesmo ator que dá vida a Aluizio Li em O Shaolin do Sertão.

Para o distribuidor Bruno Wainer, da Downtown/Paris Filmes, "nas últimas duas décadas nenhum filme regional obteve o sucesso de Cine Holliúdy, exportado para 25 países, O Shaolin do Sertão tem o mesmo fôlego, mas por enquanto vamos concentrar a nossa aposta no Ceará e na região do Nordeste".

"O longa-metragem Cine Holliúdy nasceu de uma curta-metragem que havia feito muito sucesso aqui, Cine Holiúdy - O Astista contra o Caba do Mal, batendo até o Matrix, que era o blockbuster daquela época", lembra Halder.

Na sua eclética carreira, o cineasta, que é também licenciado em Gestão e mestre de taekwondo, correalizou o filme As Mães de Chico Xavier, sobre o mais famoso espírita brasileiro, assinou o argumento de Área Q, filme de terror científico filmado no interior do Ceará e em Los Angeles, e começou a vida no mundo do cinema como duplo em filmes de artes marciais nos EUA.

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