Grécia vai investigar fuga ao fisco denunciada por jornalistas
Contactado pela AFP, o secretário-geral do Ministério das Finanças, Haris Theoharis, confirmou a informação publicada pelo diário Ta Nea, que noticiou hoje que o consórcio independente de jornalismo investigação (ICIJ), com sede em Washington, revelou informações sobre dezenas de milhares de empresas 'offshore' com base numa uma série de paraísos fiscais em todo o mundo, incluindo as ilhas Virgens Britânicas.
O Ta Nea afirma ter identificado, na massa de dados publicados pelo ICIJ, 107 empresas gregas 'offshore', das quais apenas quatro estão registadas junto das autoridades fiscais gregas.
O facto de as empresas "denunciadas pelo ICIJ terem negócios além do radar das autoridades fiscais representam um grande problema", disse ao jornal grego Haris Theoharis.
á "Vamos examinar cuidadosamente esses elementos e tentar investigar da melhor maneira possível se a atividade é ilegal ou se são encontradas infrações", disse o secretário-geral do Ministério das Finanças grego, um cargo recentemente criado para dotar o país de um mecanismo de arrecadação de impostos digno do nome.
O Ministério das Finanças anunciou recentemente a sua intenção de apertar o controle sobre empresas 'offshore', uma das principais causas nos últimos anos para a evasão fiscal na Grécia.
O ICIJ, que envolveu na análise dos ficheiros dezenas de jornalistas de títulos como o Guardian, BBC, Le Monde, Süddeutsche Zeitung e Washington Post, entre outros, afirma que os documentos a que teve acesso representam "a maior pilha de informação confidencial sobre o sistema financeiro dos 'offshores' alguma vez obtida por uma organização de media".
"O tamanho total dos ficheiros, medidos em gigabytes, é mais de 160 vezes maior do que a fuga de informação dos documentos dos Departamento de Estados dos Estados Unidos a que a Wikileaks teve acesso em 2010", lê-se no portal da organização, que revela ainda que "os registos revelam 'holdings' pessoais e de empresas em 'offshores' em mais de 170 países e territórios".
Os ficheiros revelam factos e números -- transferências de dinheiro, datas de incorporações, ligações entre empresas e indivíduos -- que "ilustram a forma como o sistema secreto de 'offshores' se espalhou agressivamente por todo o mundo, permitindo aos mais ricos e aos melhore relacionados fugir a impostos e estimular a corrupção, protegendo criminosos e corruptos em países ricos e pobres sem descriminação".

