Apresentação, Fado da Verdade, Variações em ré menor, Fado Hilário, Rapsódia de fados, Fado Anadia e Palavras finais integram o disco, que é editado em colaboração com o Museu do Fado, e do qual um euro de cada CD reverte a favor da operação Nariz Vermelho, informou a fundação. O disco foi gravado no último programa semanal que a fadista manteve na Emissora Nacional, desde julho de 1939. .A fadista começou a cantar na década de 1930, foi sempre acompanhada pelo guitarrista Raul Nery e depressa chamou a atenção pelo timbre claro e interpretação sem mácula, tendo obtido grande sucesso em Portugal e no estrangeiro, quando o circuito da world music ainda não existia. .Admirador confesso de Maria Teresa de Noronha, o editor discográfico Manuel Simões dizia que a fadista "cantou sempre com enorme sentimento, dignidade e sentido de rigor", além de ter uma "voz clara, certa nos tempos melódicos" e "com umas pausas extraordinárias". Para o músico Segismundo de Bragança, que facilitou a fita magnética a Manuel Simões, este disco torna-se mais fundamental por a bobina original do programa se ter perdido. Do repertório escolhido por Maria Teresa de Noronha, destaca-se Fado Hilário, um fado de Coimbra que a fadista foi a primeira mulher a cantar. Para o estudioso Rui Vieira Nery, Maria Teresa de Noronha era "única na forma de criar um pathos, uma tensão dramática que criava nas suas interpretações, quando suspendia a melodia e surgia só a sua voz". .Maria Teresa de Noronha - que nasceu em Lisboa em 07 de setembro de 1908 e morreu em Sintra a 05 de junho de 1993 - estudou canto lírico e integrou o coro do Teatro de São Carlos, tendo gravado o primeiro disco em 1939. Na década de 1940, fez uma digressão por Espanha, seguindo-se o Brasil, onde "obteve um estrondoso êxito", como testemunhou, na época, Raul Nery. Cerca de 20 anos mais tarde, na década de 1960, regressou ao Brasil, apresentou-se num programa da BBC, cantou para as famílias reais da Grã-Bretanha e do Mónaco e, em 1969, foi convidada especial no Festival RTP da Canção. . Instituída ainda em vida pelo editor discográfico Manuel Simões (1917-2008), a fundação homónima tem como objetivo divulgar a cultura e o património fadistas, e conquistar mais público para o fado. O organismo é detentor de todo o espólio fonográfico da antiga Estoril Discos, cujo arquivo contém gravações históricas de fadistas como Berta Cardoso, Tristão da Silva ou Maria José da Guia.