Fresenius vai criar centro de investigação em Tondela

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> Paula Carmo

Fazer de Portugal um dos pontos avançados na Europa e no mundo no domínio das drogas injectáveis é um dos objectivos da empresa Fresenius Kabi, líder no desenvolvimento, produção e distribuição de medicamentos para terapêutica intravenosa. Com essa meta, a empresa adquiriu recentemente a farmacêutica Labesfal, sediada em Santiago de Besteiros, concelho de Tondela. O projecto envolve a construção de um Centro de Competência para o Desenvolvimento e Investigação farmacêutica naquele campus industrial.

De acordo com Francisco Braz de Castro, director-geral e director técnico da Fresenius Kabi Pharma Portugal, a empresa "irá transferir para Tondela toda a investigação na área de medicamentos injectáveis". Para isso vai investir 10 milhões de euros até 2006 na construção de novas instalações laboratoriais.

Braz de Castro, licenciado em Ciências Farmacêuticas pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, acredita que podem desenvolver-se parcerias, designadamente com as univer- sidades portuguesas e com o Infarmed, para esta área da investigação.

"Portugal não tem aproveitado os profissionais que estão a trabalhar na investigação", e, frisa o director, "aproveitando a estrutura mundial da Fresenius, a investigação feita em Portugal ganhará um novo centro de decisão, precisamente em Tondela".

Com a aquisição da Labesfal, a Fresenius pretende aumentar o seu negócio na área das terapias de infusão, fazendo com que o Infarmed possa equilibrar a balança ao validar, cada vez mais, a exportação de novidades terapêuticas obtidas no nosso país.

Consolidar dossiers de registo farmacêutico com reforço da capacidade industrial são objectivos desta empresa, que para já vai optimizar os turnos da unidade em laboração, reforçar o parque de máquinas e, posteriormente, construir uma nova unidade neste complexo industrial.

Ao apresentar as estratégias do grupo alemão à comunicação social, Braz de Castro, que desempenhará o cargo de presidente do conselho de administração da Labesfal - Fresenius Kabi, deu conta de que o grupo pretende investir perto de 20 milhões de euros até 2007 na fábrica actualmente existente, por forma a aumentar o portfólio dos medicamentos de infusão (soros) ali produzidos, bem como possibilitar a internacionalização neste segmento de mercado.

"Competir nos injectáveis", acentuou Braz de Castro, "num mercado interessante e consistente" foi um dos motivos que levaram à aquisição da Labesfal a Joaquim Coimbra. O agora presidente da Labesfal - Fresenius Kabi confessou até que "esta era uma área em que estávamos desestruturados...".

E a escolha da Labesfal não foi por acaso. Braz de Castro elenca as vantagens "O facto de a Labesfal ter sido considerada como uma das melhores empresas do País, ter um volume de negócios sustentável, uma dimensão coerente a nível de funcionários e um conjunto de produtos registados com interesse, bem como um grupo industrial que pode dar garantias de crescimento."

Joaquim Coimbra, ex-proprietário da Labesfal, acredita que a sua anterior empresa "contribuirá com um crescimento de quase 5% para o negócio da Fresenius Kabi". Esta empresa, recorde-se, registou um volume de negócios de 1,5 milhões de euros (em 2004), estando nas suas previsões para este ano um crescimento de 5% a 7%.

A previsão, de acordo com Rainer Baule, presidente da Fresenius Kabi, quando a nova fábrica estiver em laboração, o crescimento pode chegar aos 10%.

Presentes na apresentação aos jornalistas do projecto da empresa estiveram Mar Crouton (presidente da Fresenius para a Europa, América, Médio Oriente e África) e Alain Mollard (Europa do Sul e América do Sul).

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