Folhas de papel feitas de carbono

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Talvez se torne o papel do futuro, mas as suas potencialidades não se esgotarão aí. As folhas superfinas (com a inimaginável espessura de um átomo apenas) de óxido de grafeno, desenvolvidas por um grupo da universidade norte-americana de Northwestern, servirão para construir automóveis e aviões mais resistentes e mais leves, para produzir baterias e materiais isolantes ou ainda de desporto para a alta competição.

O óxido de grafeno, prometem os seus inventores num artigo publicado hoje na revista Nature, dará origem a uma nova classe de materiais e, com isso, contribuirá para mudar o mundo. Tal como o papel revolucionou, afinal, as sociedades e as civilizações há mais de dois mil anos.

O grafeno, um material feito de átomos de carbono e desenvolvido no admirável mundo da nanoteclogia (a escala de grandeza é da ordem do milionésimo do milímetro, ou seja, mil vezes mais fino que a espessura de um cabelo), foi desenvolvido e descrito pela primeira vez em 2004. É hoje o candidato mais bem colocado para substituir o silício na produção de microchips para computadores, o que mostra a importância deste material no futuro.

Num passo à frente, a equipa de Rodney Ruoff, da universidade de Northwestern, desenvolveu no ano passado os primeiros materiais compósitos a partir deste grafeno, com propriedades consideradas extraordinárias de resistência e condução de electricidade, mecânicas e térmicas, e que deu origem a um artigo na Nature. Agora, Ruoff volta à carga na mesma revista científica e mostra o desenvolvimento do trabalho no último ano, anunciando o óxido de grafeno. "Tenho poucas dúvidas de não podermos fazer grandes folhas deste material, que é como papel", adiantou Ruoff sobre o novo material, que nasce, assim, cheio de promessas.|

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