Um vislumbre do império colonial na história do "homem-macaco". A 26, terça-feira, chegou a Lisboa o vapor Zaire, que atracou no Cais da Areia ao início da manhã. O povo pensava que vinha a bordo um tal Albano de Jesus, "um infeliz conhecido por homem-macaco". Muitos mirones acorreram ao porto para ver o tresloucado, que se pensava ter viajado numa jaula.."Tiveram uma decepção, pois o homem não veio", conta o DN. Albano de Jesus embarcara de facto em Benguela e viajara no Zaire até Luanda, sendo "acometido pelos seus ataques, percorrendo o navio aos saltos e causando verdadeiro pânico entre os passageiros, principalmente as mulheres"..O comandante foi confrontado com um ultimato de passageiros, mas não teve de deixar o "homem--macaco" em Luanda. A dada altura, ele teve um dos ataques de loucura e saltou "para bordo de uma das pequenas embarcações, que estavam próximas, tripuladas por negros e fugindo de seguida para terra"..Segundo escreve o repórter, certamente baseando-se no que lhe contaram os passageiros, este facto "fez com que os negros ainda fugissem mais depressa que ele", Albano de Jesus, a quem chamavam "homem-macaco" e cujo destino trágico se adivinha nestas linhas simples.