EUA afirmam que a Rússia recorre a arsenal norte-coreano

Munições e foguetes de Pyongyang a caminho da Ucrânia são prova da eficácia das sanções, diz Washington.
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Os serviços de informações dos Estados Unidos dizem que a Rússia está a comprar quantidades enormes de munições à Coreia do Norte, enquanto os serviços de informações da Defesa do Reino Unido apontam para a "disponibilidade limitada de drones de reconhecimento", o que "dificulta as operações russas na Ucrânia". As Forças Armadas ucranianas dizem ter libertado várias localidades na região de Kherson, mas também em Kharkiv, onde os bombardeamentos mataram uma pessoa na cidade com o mesmo nome e outras duas em Zolochiv, a noroeste.

Enquanto na Ucrânia, a Rússia terá perdido a iniciativa, Vladimir Putin foi ver os exercícios militares Vostok 2022. A decorrerem no Extremo Oriente, mostraram ao presidente russo o uso do sistema de mísseis táticos Iskander-M. Durante as manobras, que contaram com a participação ou observação de 13 países, o Exército russo mobilizou 50 mil soldados - número igual de militares russos mortos desde 24 de fevereiro, segundo a Ucrânia.

Creia-se ou não na contabilidade de Kiev - fontes ocidentais apontam para 80 mil baixas, entre mortos, feridos e deserções - os russos estão também a perder equipamento e munições, em especial nas últimas semanas. Os 16 lançadores múltiplos de foguetes HIMARS entregues pelos Estados Unidos, elogiados pela sua precisão, têm destruído sucessivos alvos militares russos.

Para suprir as perdas, Moscovo estará a comprar milhões de munições e foguetes a Pyongyang, noticiou o New York Times com base em documentos desclassificados dos serviços secretos norte-americanos. Uma fonte disse que o material é "para utilização no campo de batalha da Ucrânia". Segundo a análise, esta é a prova de que a Rússia está a deparar-se com dificuldades no reabastecimento da máquina de guerra e que é consequência das sanções económicas aplicadas ao regime de Putin.

Por exemplo, a China de Xi Jinping, que se tem mantido do lado da Rússia - ao não condenar a invasão e ao reafirmar o apoio relativo às preocupações de segurança de Moscovo - não terá tentado vender equipamento militar ou componentes eletrónicos.

Washington tem advertido Pequim de que a violação das sanções representaria o fim do acesso à tecnologia norte-americana para o fabrico de semicondutores. Apesar de a informação passada ao diário nova-iorquino ser escassa, é bom recordar que os serviços secretos norte-americanos estavam bem informados sobre os planos militares da invasão.

Os serviços dos Estados Unidos também divulgaram recentemente as dificuldades do Exército russo em recrutar soldados, ao ponto de darem como credível a informação de que alguns presos estão a ser aliciados para se juntarem à "operação militar especial" em troca do perdão da pena. Também fizeram chegar às redações que o Irão iria fornecer a Rússia com centenas de drones de dois tipos: reconhecimento e vigilância, e de combate. A primeira entrega já terá decorrido, depois de os primeiros testes feitos pelos russos terem sido marcados por "numerosas falhas", disseram funcionários norte-americanos ao Washington Post.

O curioso é que o Irão também tem servido o país invadido. Como comprova o site Oryx (de análise de fontes abertas), morteiros e munições iranianas e espingardas de fabrico chinês importadas por Teerão estão à disposição dos ucranianos.

cesar.avo@dn.pt

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