"Estamos longe do fim da guerra", admite Guterres após falar com Putin

O secretário-geral da ONU afirmou que "um cessar-fogo não está à vista", depois de ter falado com o presidente russo, Vladimir Putin.
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O secretário-geral das Nações Unidas afirmou esta quarta-feira que um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia ainda está longe de acontecer. A conclusão de António Guterres surge após a conversa telefónica que teve hoje com o presidente russo. "Estamos longe do final da guerra", disse o português depois da conversa com Vladimir Putin.

"Um cessar-fogo não está à vista. Estaria a mentir se dissesse que isso está prestes a acontecer", declarou o secretário-geral da ONU, citado pela CNN.

Segundo Guterres, as probabilidades de um cessar-fogo "são mínimas", mas frisou que continuará a perseguir esse objetivo.

Guterres afirmou ainda que discutiu com o presidente russo o acordo sobre a exportação de cereais, tendo alertado para obstáculos às exportações de alimentos e fertilizantes russos. "O risco é de que haja falta de comida no mundo no final deste ano."

De acordo com o Kremlin, Putin disse ao responsável máximo das Nações Unidas​ que a "prioridade" deve ser o envio de cereais ucranianos aos países mais necessitados.

Durante a conversa, refere ainda a presidência russa, "as atenções concentraram-se principalmente na implementação dos acordos de Istambul sobre a exportação de cereais ucranianos". "Ambos enfatizaram a importância de responder às necessidades, prioritariamente, daqueles que estão no continente africano, Médio Oriente e América Latina, que precisam de comida", refere o comunicado do Kremlin.

Moscovo acrescentou ainda que, durante a conversa com Guterres, "Vladimir Putin fez uma avaliação positiva da cooperação construtiva" com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) sobre a central nuclear de Zaporijia.

Guterres informou ainda que a ONU está a tentar mediar as conversações para que as exportações russas de amoníaco pelo Mar Negro sejam retomadas, com uma extensão do acordo internacional que permitiu o desbloqueio de portos ucranianos para libertar milhões de toneladas de cereais daquele país.

O amoníaco é amplamente utilizado no desenvolvimento de fertilizantes e a Rússia é um dos principais produtores mundiais de fertilizantes, mas as vendas foram reduzidas de forma significativa desde a invasão russa da Ucrânia, com Moscovo a denunciar a existência de muitos obstáculos.

Embora os Estados Unidos e a União Europeia tenham clarificado que as suas sanções não afetam alimentos e fertilizantes russos, por enquanto muitas empresas privadas estão relutantes em estar envolvidas em tais operações, segundo fontes da ONU.

Guterres e Putin abordaram ainda, no telefonema de hoje, a situação dos prisioneiros de guerra e a missão que as Nações Unidas enviarão para investigar o ataque contra uma prisão em Olenivka, na Ucrânia, onde morreram 50 prisioneiros ucranianos, cuja autoria é alvo de acusações cruzadas entre Moscovo e Kiev.

De acordo com Guterres, a Rússia prometeu não colocar nenhum obstáculo aos investigadores da ONU e permitirá que estes realizem o seu trabalho.

O secretário-geral da ONU lembrou ainda que a guerra na Ucrânia está a devastar um país e a afundar a economia global, com consequências dramáticas, especialmente para os países pobres.

Também esta quarta-feira, o chanceler alemão afirmou que não há "indicação" de que Vladimir Putin tenha mudado de atitude quanto à decisão de lançar uma ofensiva militar em território ucraniano.

"Infelizmente, não posso dizer que ele agora percebeu que foi um erro iniciar esta guerra, e não há indicação de que adote novas atitudes", disse Olaf Scholz, um dia depois de falar com o presidente russo.

Na conversa telefónica com Putin, o chanceler alemão pediu ao líder russo uma solução diplomática para o conflito que dura há mais de meio ano, "baseada num cessar-fogo, uma retirada completa das forças russas e respeito pela integridade territorial e soberania da Ucrânia".

Embora as posições de Putin não tenham mudado, Scholz disse que era necessário manter o diálogo com o presidente russo. "É correto falar uns com os outros e dizer o que há a dizer sobre este assunto", disse o chanceler alemão.

Com AFP e Lusa

Notícia atualizada às 19:53

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