Espólio de jornalista Gilberto de Carvalho doado à biblioteca de Viseu

Perto de dez mil documentos do espólio do jornalista Gilberto de Carvalho, incluindo primeiras edições autografadas, foram doados à biblioteca municipal de Viseu, no âmbito de um contrato hoje celebrado.
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O contrato de doação foi celebrado entre a autarquia e uma neta de Gilberto de Carvalho, falecido em 1973.

O presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, frisou a importância de este "espólio riquíssimo" ficar disponível na biblioteca municipal, "em condições de ser fruído pela população, pelos investigadores e por todas as pessoas que manifestarem interesse nisso".

Nascido em Viseu em 1904, Gilberto de Carvalho foi correspondente de títulos como O Primeiro de Janeiro, Diário Popular, Diário de Notícias, O Século, O Comércio do Porto, Diário de Lisboa e Diário de Coimbra.

Enquanto escritor, escreveu "O crime da poça das feiticeiras", "Viseu no tempo de Camilo e no Amor de Perdição", "Da arte e do jeito de falar" e "Aquilino Ribeiro -- pequenas coisas num grande homem".

Almeida Henriques destacou o facto de Gilberto de Carvalho ter sido amigo do escritor Aquilino Ribeiro, tendo estado envolvido na sua fuga do presídio militar do Fontelo (atual Solar do Vinho do Dão).

Durante a sua vida, foram muitas as profissões que Gilberto de Carvalho teve, "entre as quais aprendiz de serralheiro, ferroviário, tipógrafo, agente de seguros e alfarrabista", acrescentou Almeida Henriques.

O espólio de 9.829 documentos integra núcleos temáticos de obras de Camilo Castelo Branco, Aquilino Ribeiro e Eça de Queiroz, títulos de literatura, história, política e religião, e documentos sobre a realidade local e regional de Viseu.

A neta de Gilberto de Carvalho, Ana Madureira, disse que o espólio "foi dado de coração".

"A minha alegria é que não seja eu só e os meus familiares a usufruírem de uma riqueza cultural imensa que está naqueles livros, mas partilhá-la com todos aqueles que têm sede de cultura, que têm sede de saber mais", justificou.

Ana Madureira disse ter aprendido com o avô a ter as portas abertas para os outros: "O escritório dele estava sempre aberto para quem quisesse lá ir consultar os livros".

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