O julgamento final de Dilma Rousseff começou ontem, no Senado Federal, em Brasília, com os nervos à flor da pele. Ainda o debate não tinha chegado a duas horas de duração e já Ricardo Lewandowski, juiz do Supremo Tribunal Federal que preside às sessões, suspendia os trabalhos por cinco minutos após uma troca de ofensas pessoais entre os pró-impeachment e os anti-impeachment que esteve a centímetros de derivar para a agressão física. No meio do festival de insultos, as testemunhas de acusação de Dilma foram ouvidas pelos senadores ao longo do dia.."Quem aqui é que tem moral para julgar a presidente Dilma? Quem?", perguntou, exaltada, a senadora Gleisi Hofmann, do PT, e uma das mais enérgicas defensoras da presidente afastada, de quem foi ministra-chefe da Casa Civil, a meio de um discurso. "Todos, todos, todos", gritaram os parlamentares que pretendem a destituição definitiva de Dilma..No meio desses parlamentares destacou-se a voz grave de Ronaldo Caiado, dos Democratas: "Eu tenho moral porque não sou assaltante de reformados!" Caiado aludia à Operação Custo Brasil, que levou à detenção, por suposto desvio de 100 milhões de reais de funcionários públicos reformados, de Paulo Bernardo, ex-ministro das Comunicações de Dilma e marido de Hofmann.."E você é um assaltante de trabalhadores escravos", rebateu a senadora petista, em referência às acusações que pesam sobre a família Caiado de submeter funcionários "a trabalho sob condições degradantes e a jornadas exaustivas na produção de carvão", segundo o Ministério do Emprego, nas suas fazendas no estado do Goiás..Nessa altura, já Lindberg Farias, do PT, se aproximara de Caiado a gritar "canalha, canalha, quem sabe de você é o Carlinhos Cachoeira", a propósito das suspeitas de que Cachoeira, patrão do jogo ilegal, é um dos financiadores da campanha do senador dos Democratas. "Você não vem cheirar para aqui para dentro não, vá fazer o exame antidoping", reagiu Caiado, dando voz a rumores de uso de substâncias ilícitas pelo petista..Após a paragem forçada, os ânimos acalmaram-se e os senadores ouviram, já depois da pausa para almoço, as duas testemunhas escolhidas pelos autores do pedido de impeachment, os advogados Hélio Bicudo, Janaína Paschoal e Miguel Reale Júnior. Foram ouvidos o representante do ministério público junto ao Tribunal de Contas Júlio de Oliveira e o auditor de fiscalização do mesmo tribunal Antônio D"Ávila.."Os decretos de créditos suplementares precisam da prévia autorização do Congresso, porém, foram emitidos antes da observância desse mandamento constitucional, e os decretos deveriam ser compatíveis com a meta orçamental em vigor, o que não se verificou, e isso é crime de responsabilidade", disse Júlio de Oliveira que passou por decisão de Lewandowski de testemunha a informante por se ter manifestado publicamente pela rejeição das contas de Dilma. Hoje é a vez das seis testemunhas de defesa, convocadas pelo advogado de Dilma, intervirem no Senado..Em São Paulo