O Governo está a pagar 3706 euros por mês ao fundo de pensões do BCP, por conta da reforma de Paulo Macedo, o director de impostos, detentor do mais alto salário - no valor de 21236 euros - na Função Pública. Enquanto alguns juristas contestam a "validade jurídica" da transferência de dinheiros para o fundo, os sindicalistas protestam contra os valores envolvidos "quando há inspectores tributários que não fiscalizam empresas por falta de verbas". A transferência para o fundo de pensões significa uma segunda tranche de rendimentos a beneficiar Paulo Macedo, até agora não revelada pelo Governo. Pela primeira tranche, o director de impostos, requisitado pelo governo de Durão Barroso ao BCP, aufere um ordenado bruto de 21236 euros, o que, após o desconto de IRS, recebe líquidos na sua conta bancária mais de 14,5 mil euros mensais. O Estado não retém "na fonte" nenhuma verba para a Segurança Social ou para o fundo de pensões, mas através de uma outra conta - também de salários - transfere, por mês, mais 3706 euros para oBCP..Uma verba que o banco injecta no seu fundo de pensões. Ou seja, ao mesmo tempo que o "ordenado bruto" de Paulo Macedo atinge a barreira dos 25 mil euros - o triplo do auferido pelo Presidente da República e primeiro-ministro - o Estado substitui-se à entidade patronal de origem e financia um fundo de pensões privado..Enquanto o núcleo do PS do ministério das Finanças pede a saída de Paulo Macedo, alguns juristas não têm dúvidas sobre o assunto "A transferência para um fundo de pensões privado é de duvidosa legalidade", já que a lei apenas assegura ao requisitado "o regime de Segurança Social por que está abrangido" na origem. .É, aliás, este o argumento usado pelas Finanças para justificar a transferência para o fundo do BCP. Guilherme da Fonseca, ex-juíz do Tribunal Constitucional, concorda com o direito à segurança social de origem, mas afirma que a transferência "em si, não tem cobertura na lei", já que o fundo de pensões, "por natureza é uma entidade patrimonial autónoma".