Um coelho diferente: um animal distinto de todos os outros do bosque das Amoras e que por isso mesmo é o alvo perfeito das maldades dos seus companheiros. O sensível Tobias é um jovem coelho albino e protagoniza Amigos para Sempre, uma peça de teatro musical - a decorrer no teatro Tivoli - que canta e dança ao som de temas ainda e sempre actuais: a desigualdade social e o racismo. Duas "tendências" da sociedade contemporânea que, dissimuladas ou não, podemos detectar no quotidiano....O Tobias é a vítima da discriminação por parte dos coelhos "normais" daquele bosque, liderados por Gaspar, o vilão da peça que não perde uma única oportunidade para o discriminar com as humilhações que lhe vai preparando. Triste por não ser igual aos outros, o coelho albino só começa a sentir-se melhor quando as suas amigas borboletas lhe explicam que é bom ser diferente, que essa condição enriquece o mundo... até que, por ironia do destino, Tobias e Gaspar perdem-se para lá do bosque das Amoras, conhecem seres nunca antes vistos e vivem uma aventura que acaba por os unir nas diferenças. Tudo isto numa peça de teatro em que a musicalidade dos personagens comunica com a cor, ale- gria e originalidade dos figurinos de Agatha Ruiz de la Prada. A artista espanhola decidiu unir-se a Amigos para Sempre pela mensagem do argumento, mas especialmente porque parte da receita diária deste espectáculo reverte a favor da Novo Fu-turo, uma associação destinada ao acolhimento e apoio a crianças desfavorecidas que, desde há alguns anos, conta com o contributo de Agatha. .O elenco, constituído por 14 jovens actores afinados na contracena musical, consegue facilmente interagir com a plateia. De repente, as crianças - e os adultos - já trauteiam as melodias sem vergonha..No final, os pequenos trouxeram as canções para a rua, mas também os comentários sobre a mensagem que acabavam de decifrar. "Eu costumo gozar com o Francisco, que é o menino mais pequeno lá da escola", confessou o João, de oito anos. "Mas não é só porque é pequeno: é porque é chato... mas coitado, ele não tem culpa." Será que o João vai aplicar a "lição" que aprendeu?