As relações entre Tóquio e Seul têm sido marcadas pelos 35 anos de ocupação japonesa da península coreana, que só terminou com o fim da II Guerra Mundial. Mas a eleição, no ano passado, do presidente conservador sul-coreano, Yoon Suk Yeol, que decidiu resolver as disputas relacionadas com o trabalho forçado durante a ocupação, abriu portas a uma aproximação entre os dois países, bem vista pelo primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida. Laços que o presidente norte-americano, Joe Biden, de olhos postos na ameaça da China e da Coreia do Norte, quer ajudar a solidificar, recebendo esta sexta-feira Yoon e Kishida para um encontro inédito a três em Camp David (o retiro presidencial no Maryland)..Biden irá assinalar "uma nova era na cooperação trilateral", disse o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, após uma reunião com os homólogos japonês e sul-coreano para preparar o encontro. A ideia é promover uma visão comum de "um Indo-Pacífico livre e aberto, resiliente, seguro e ligado". Tudo tendo como pano de fundo a tensão crescente com a Coreia do Norte, que tem multiplicado os seus testes de mísseis e estará a planear um novo teste nuclear, e a ameaça que representa a China e uma potencial ação contra Taiwan - e que se tornou mais visível após a invasão da Ucrânia por parte da Rússia..Japão e Coreia do Sul são os dois principais aliados dos EUA na Ásia, mas a tensão entre ambos impedia até agora o reforço da colaboração entre os três na área da Defesa ou económica. Esta semana, ao assinalar o aniversário da independência sul-coreana do Japão, Yoon - que em maio foi o primeiro chefe de Estado sul-coreano a visitar Tóquio em 12 anos - descreveu a "terra do Sol nascente" como um parceiro com valores e interesses partilhados com Seul..Washington, ciente que os avanços dos últimos meses se devem principalmente à disponibilidade de Yoon e de Kishida (ambos pouco populares nos seus países), quer solidificar os laços e tornar mais difícil um eventual recuo nas relações entre Seul e Tóquio. Uma das ideias, por exemplo, é tornar este encontro a três anual, tal como os exercícios militares conjuntos que têm ocorrido de forma esporádica e melhorar a partilha de informações sobre testes de mísseis norte-coreanos..Com agências