Um alto funcionário do regime russo foi enviado para Pequim, no verão, com o objetivo de recolher informações sobre o Estreito da Formosa. O propósito é poder desencadear o agravamento das tensões entre a China e Taiwan num momento considerado propício e afetar a capacidade da resposta na assistência militar à Ucrânia..A notícia, da CNA, agência de notícias de Taiwan, baseia-se numa fonte dos serviços secretos de um país europeu. Segundo este, quando for do seu interesse, Moscovo irá tentar influenciar Pequim a concluir que tem de tomar medidas mais radicais no Estreito da Formosa, a fim de "proteger os interesses da China", o que inclui as hipóteses de os russos usarem meios secretos ou indiretos. "O objetivo final de Moscovo - lê-se na CNA - é fazer com que os Estados Unidos não consigam responder eficazmente à destruição contínua da paz e da estabilidade na Europa e noutros locais por parte da Rússia, porque têm de responder aos 'problemas no Estreito da Formosa'." Até que ponto a Rússia pode exercer influência sobre a China é outra questão, posta em causa por vários especialistas ouvidos pela agência noticiosa..No que respeita à credibilidade do enredo, é bom lembrar que a realidade supera a ficção uma e outra vez. Por exemplo, no caso do envenenamento do ex-agente duplo Sergei Skripal, em 2018, os dois militares da agência de informações russa GRU que foram detetados em Salisbury alegaram estar naquela pacata cidade inglesa em visita turística à catedral..DestaquedestaqueKiev suspeita de que o envenenamento da mulher do chefe dos serviços secretos militares tem dedo russo, o que é rejeitado pelo Kremlin..Ainda no capítulo dos envenenamentos, Moscovo negou qualquer envolvimento no caso da mulher do chefe dos Serviços Secretos Militares ucranianos (HUR), Kyrylo Budanov. Na terça-feira, Marianna Budanova foi hospitalizada e as análises revelaram a presença no seu corpo de metais pesados, como o mercúrio e o arsénico. A vida da assessora do presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, não estará em risco..Por razões de segurança, o casal Budanov está a viver nas instalações do HUR desde o início da invasão russa. Segundo o porta-voz do HUR, foram encontrados vestígios de metais pesados noutros funcionários, o que levou Kiev a suspeitar da Rússia. "A Ucrânia culpa a Rússia por tudo. Parece-me que até pela sua própria existência", ironizou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em resposta..Ainda a braços com uma tempestade que atingiu o sul da Ucrânia, matou 12 pessoas e deixou 800 povoações sem eletricidade, o país sofre também com uma intensificação dos ataques no leste. Em Avdiivka, os russos continuam a cercar a localidade considerada de valor estratégico, e "aumentaram significativamente" a atividade, disse Oleksandr Tarnavsky, o comandante ucraniano na região, mas também que as suas forças estavam a "manter firmemente a linha ao longo da frente " da cidade..Os progressos registados por Moscovo fazem-se à custa de um número de baixas inédito até ao momento, segundo os serviços de informações do Ministério da Defesa britânicos. Nas últimas seis semanas registou-se uma média diária de baixas de 931 militares russos. De acordo com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, desde 24 de fevereiro de 2022, houve mais de 300 mil baixas russas..cesar.avo@dn.pt