Não desperdiçar os "nomes da nossa praça" por um apelido estrangeiro é a filosofia dos Caminhos do Cinema Português, a decorrer em Coimbra, até domingo. .Organizado pelo Centro de Estudos Cinematográficos da Associação Académica, o Festival propõe este ano um vasto programa. Abrindo espaço a novas formas de apresentação de produções audiovisuais, com uma mostra de filmes da Internet, os Caminhos lançam nesta XII edição uma fotobiografia das imagens que construíram a sua alma e história e realizam a primeira Feira do Livro de Cinema e do Filme Português, pondo ao dispor, no Teatro Académico Gil Vicente, um milhar de livros e 400 DVD..Em exibição e competição estão 54 curtas e longas- metragens e cinco películas, com menos de cinco anos, do cinema alemão, como Lichter (Hans-Christian Schmid); Der Felsen (Dominik Graf) ou Fickende Fische (Almut Getto). Da produção cinematográfica portuguesa encontra-se, entre "filmes esquecidos nas estantes", os tão divulgados Noite Escura de João Canijo (ontem), O Quinto Império de Manoel de Oliveira (hoje) e Kiss Me de António Cunha Telles (quarta). .A formação volta a ser, por outro lado, a grande aposta - com workshops de som, edição, animação tradicional e digital e design de imagem -, tal como as sessões dedicadas ao vídeo experimental. Lugar também para o cinema de animação português e estrangeiro. E para os mais pequenos (esperam- -se cerca de dois mil jovens) foram agora criados espaços diferenciados de acordo com as faixas etárias (dos 4 aos 11 anos)..A organização continua, porém, a debater-se com problemas financeiros. A Câmara de Coimbra ainda não pagou os cinco mil euros atribuídos à edição do ano passado e o ICAM reduziu, este ano, o financiamento a 15 mil euros. "É uma injustiça que o único festival de cinema português do país veja reduzida, a mais de metade, a verba atribuída." É, lamenta ainda Vítor Ferreira, director do Festival, "tudo muito sombrio", uma vez que "não há critérios objectivos para a atribuição do dinheiro".