Chefe da diplomacia turca debate corredor de cereais com Zelensky em Kiev

Volodymyr Zelensky e Hakan Fidan abordaram os "riscos que o cerco russo coloca ao corredor de cereais no mar Negro".
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O chefe da diplomacia turca, Hakan Fidan, reuniu-se esta sexta-feira com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Kiev, no âmbito de uma rara visita, anunciaram as autoridades dos respetivos países.

"O nosso ministro foi recebido em Kiev pelo chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco nas redes sociais.

Zelensky confirmou o encontro, na plataforma digital Telegram, dizendo terem, em especial, abordado os "riscos que o cerco russo coloca ao corredor cerealífero no mar Negro".

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A Rússia retirou-se em meados de julho do acordo que permitiu durante quase um ano fazer sair, apesar da guerra, milhões de toneladas de cereais ucranianos dos portos da Ucrânia.

Nas últimas semanas, Moscovo efetuou várias séries de ataques a infraestruturas portuárias em Odessa e em portos do rio Danúbio.

A Ucrânia, por seu lado, está a procurar parceiros para relançar as suas exportações, inclusive pelo mar Negro, onde recentemente desafiou Moscovo, com a viagem de um navio cargueiro com pavilhão de Hong Kong, que não foi atacado pela Rússia apesar das ameaças.

Kiev também realizou vários ataques a navios russos no mar Negro, incluindo a um petroleiro, e ameaçou, por sua vez, os navios que se dirigiam para os portos russos e ocupados por Moscovo.

A Turquia desempenha há muito tempo o papel de mediadora entre os dois países em guerra, patrocinando nomeadamente o acordo dos cereais abandonado pela Rússia, mas as relações com Moscovo ficaram tensas depois de Ancara ter entregado à Ucrânia comandantes do batalhão ultranacionalista Azov.

Apesar de tudo, o Presidente russo, Vladimir Putin, pediu no início de agosto o apoio da Turquia para exportar os cereais da enorme colheita russa, cuja distribuição está dificultada pelas sanções ocidentais.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou, de acordo dados da ONU, a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão - justificada por Putin com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

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