Catalunha não é terra de mártires

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Depois de Oriol Junqueras, líder da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e ex-vice-presidente do governo regional da Catalunha, foi agora a vez dos outros três líderes separatistas ainda presos em Espanha renunciarem publicamente à via unilateral para obtenção da independência. Como no caso de Junqueras, as declarações perante o juiz não têm de ser seguidas de libertação imediata, pois a justiça espanhola pode considerar que há risco de fuga (e a liberdade será sempre condicional, dado que há crimes a julgar, como rebelião), assim como de reincidência, caso o acusado esteja a mentir.

Mas o arrependimento dos quatro políticos presos, tal como de outros antes que estão em liberdade condicional, caso da ex-presidente do Parlamento Carme Forcadell, representa o fim da luta separatista catalã tal qual foi imaginada por Junqueras e o seu aliado do Juntos pela Catalunha (JxC), Carles Puigdemont, durante o ano passado. Mesmo o ex-presidente catalão, exilado na Bélgica por temer ser preso, já admitiu em entrevistas que existem alternativas à declaração unilateral de independência que foi feita depois do conturbado referendo de 1 de outubro, ilegal à luz da lei espanhola.

Estes arrependimentos vários, que não significam que as pessoas desistam de ambicionar a independência (mas isso não viola a Constituição espanhola), mostram bem como foi mal calculada a estratégia de desafio dos separatistas, senhores de pouco menos de metade dos votos catalães e de pouco mais de metade dos assentos de deputados, antes como depois das eleições regionais antecipadas de 20 de dezembro. Puigdemont e Junqueras não previram o isolamento internacional nem a reação dura mas legal do Estado espanhol. Felizmente, estes arrependimentos comprovam também que a força nunca foi uma opção para os separatistas e tanto a Catalunha como Espanha no seu todo só têm a ganhar com isso. A via independentista vai poder prosseguir no plano das ideias mas sempre no respeito da Constituição, enquanto o Estado espanhol mostrou ser capaz de se defender sem excessos.

Agora falta Puigdemont regressar e assumir responsabilidades, a justiça espanhola decidir que nem tudo se resolve mantendo as detenções e a Catalunha formar um governo que lhe devolva a normalidade.

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