Britânicos dizem que Rússia está a recorrer a armas da Coreia do Norte e do Irão

A conclusão dos serviços de informação britânicos advêm do facto de os russos terem perdido um drone iraniano perto da linha da frente de combate.
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Os serviços de informação britânicos acreditam "com grande margem de certeza" que a Rússia está a aumentar a receção de armas do Irão e da Coreia do Norte, países sujeitos a duras sanções internacionais.

O Ministério da Defesa britânico disse esta quarta-feira em comunicado que a perda de um avião não tripulado (drone) iraniano Shahed-136 perto da linha de frente de combate na Ucrânia "sugere a possibilidade realista de que a Rússia esteja a tentar usar esses sistemas para realizar ataques táticos".

Londres sublinha que dispositivos como este - um drone com alcance de 2500 quilómetros - já foram usados no Médio Oriente, no passado, incluindo um ataque ao petroleiro MT Mercer Street, na costa de Omã, em 2021.

No início de agosto, o jornal norte-americano The New York Times revelou que Moscovo estava a comprar projéteis e foguetes à Coreia do Norte, uma informação que foi apoiada pelo Pentágono.

Estes dados surgem numa altura em que a retirada das tropas russas do nordeste da Ucrânia, perante um contra-ataque de Kiev, aumentou a pressão política sobre o presidente russo, Vladimir Putin.

O ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia anunciou, entretanto, a inclusão de mais 30 britânicos na lista negra de pessoas proibidas de ingressar o país, ao acusá-los de apoiar a Ucrânia e difundir notícias antirrussas.

"Foi tomada a decisão de incluir na lista negra 30 dirigentes de entidades britânicas, que respondem pela promoção coordenada de uma agenda informativa antirrussa, e a representantes do 'lobby' da Defesa britânico", assinalou em comunicado a diplomacia russa.

O ministério justificou a medida devido ao percurso "inamistoso" do Reino Unido, "no âmbito do qual Londres toma medidas destinadas a desacreditar a operação militar especial da Rússia na Ucrânia e oferece ajuda consequente ao regime nazi de Kiev".

Entre os sancionados, o comunicado do MNE russo indica o diretor da Associação de relações públicas e comunicações, Francis Ingham, o cofundador de PR Network, Nicky REgazzoni, e o especialista em armas químicas Hamish de Bretton-Gordon.

O ministério dos Negócios Estrangeiros russo acusa Ingham de apelar às empresas britânicas para interromperem as relações económicas com a Rússia, e de coordenar com Regazzoni campanhas informativas antirrussas.

A diplomacia russa criticou Bretton-Gordon por "emitir opiniões de especialista" sobre a intenção da Rússia de utilizar armas químicas no Reino Unido e na Ucrânia.

A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra mais de 5.800 civis mortos e cerca de 8.400 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas - mais de seis milhões de deslocados internos e mais de sete milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

Notícia atualizada às 21:20

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