BRANQUEAMENTO DENTÁRIO

Hoje já quase não existem desculpas para ter um sorriso amarelo. As técnicas mais recentes permitem branquear os dentes em apenas uma hora. E alguns dos tratamentos podem até ser realizados em casa.
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Espelho meu, espelho meu, haverá alguma forma de prevenir um sorriso tão amarelo quanto o meu? A resposta, dada por quem entende do assunto, não deixa margem para dúvidas. «O escurecimento dos dentes pode dever-se a uma série de razões, entre as quais traumatismos, tabagismo, consumo de café ou chá em demasia e a toma de certos medicamentos», esclarece o dentista Miguel Stanley.

Para este especialista da clínica White, em Lisboa, os dentes também estão sujeitos aos efeitos nefastos da idade, o que, em parte, também justifica o processo de amarelecimento. No entanto, há possibilidade de retardar um «sorriso amarelo», limitando-se o consumo de alguns produtos ou substâncias. «Tudo aquilo que manchar uma camisa branca poderá pigmentar os seus dentes», demonstra. O dentista refere, por isso, que a redução do consumo de alguns alimentos (os frutos vermelhos, o vinho tinto, o café e o chá), a par de «uma higiene oral escrupulosa», é o primeiro passo para se limitar a pigmentação dentária.

Se a causa for intrínseca (no interior do dente), a solução passará pela por um pré-tratamento, que implica «a correcta desvitalização do dente, eventual branqueamento interno, e - caso necessário - a aplicação de compósitos ou cerâmicas».

No leque de opções de branqueamento, o dentista refere que hoje em dia, além das técnicas executadas no consultório médico, há possibilidade de realizar os tratamentos em casa. «No consultório, aplicamos um gel branqueador (tipicamente peróxido de carbamida) de alta concentração que fica a actuar nos dentes durante aproximadamente uma hora.» Poderá ser utilizada ainda máquina de plasma que emite uma luz sobre os dentes para aumentar o efeito branqueador. Quando este procedimento é realizado no domicílio «recorre-se à utilização de um gel de baixa concentração, que é posteriormente aplicado numas moldeiras», ajustadas à dentição de cada utente.

Segundo Miguel Stanley, «o número de sessões depende da técnica utilizada, do gel aplicado e do grau de escurecimento». Geralmente, «uma sessão até duas horas [para dentes mais escurecidos], no consultório, ou de sessenta minutos por dia em casa, durante duas semanas», são suficientes para conquistar um sorriso mais claro e luminoso.

Quando existe um dente desvitalizado, o branqueamento poderá ser prejudicial, já que, nestas situações, o procedimento é mais invasivo (o gel é introduzido directamente no interior do dente). Nos casos em que a integridade do dente está comprometida, Miguel Stanley recomenda, como alternativa, a colocação de coroas ou peças de cerâmica, que, apesar de mais caras, têm um efeito mais prolongado.

Embora os efeitos do gel branqueador e da luz possam ser imediatos (os melhores sistemas actuam em apenas uma hora), «a duração não é eterna»: a manutenção de um sorriso esbelto depende dos «hábitos de consumo do doente e da própria constituição [natural] do dente».

Em casa, mas com regras

Quem opta pelas soluções de branqueamento em casa (gel de baixa concentração, colocado em moldeiras feitas à medida) deve, antes de mais, realizar um diagnóstico prévio com o médico dentista ou higienista. «Uma boca com má higiene oral, com cáries ou outros problemas, não é candidata ao branqueamento. Muitas vezes, as pessoas põem a estética à frente da saúde - e isso é um erro tremendo», fundamenta Miguel Stanley.

«Para se fazer um branqueamento em casa, a boca tem de estar em perfeitas condições de saúde. Será feito um molde dos seus dentes, que permitirá construir uma pequena moldeira, correctamente ajustada à sua dentição. É nesta moldeira transparente que será aplicado o gel branqueador, permitindo que este, em contacto com os seus dentes, possa actuar. É fundamental seguir as instruções do médico, para que este tratamento se processe sem quaisquer complicações.»

De acordo com o dentista, «um branqueamento bem efectuado, com materiais de qualidade, não representa qualquer risco para um dente são». O especialista justifica, dizendo que o «tratamento não é abrasivo e, ao contrário do que muita gente pensa, não enfraquece a estrutura do dente», a não ser em casos em que a integridade da dentição já está previamente afectada.

Para o especialista, actualmente estão disponíveis geles de branqueamento «cada vez mais eficazes e com menos efeitos secundários». Miguel Stanley indica que no passado a utilização de alguns produtos estavam relacionados com a sensibilidade dentária temporária após o branqueamento. «Hoje em dia, com os novos produtos, essa sensibilidade pós-branqueamento será muito reduzida ou mesmo inexistente.»

Dura até três anos

Embora o branqueamento dentário não esteja acessível a todas as carteiras - os valores oscilam entre duzentos e seiscentos euros, dependendo do local e dos materiais usados -, um sorriso mais claro está à distância de uma boa higiene oral. No entanto, quando a dentição vai ficando amarelecida com o tempo, há a possibilidade de optar por um branqueamento oral que tem geralmente uma duração de um a três anos.

«Ao fim desse período, geralmente é necessário um retoque, ou seja, uma sessão mais curta, só para recuperar a brancura original. No entanto, há limites: um dente não poderá ser branqueado para além de um certo tom. Da mesma maneira que existem pessoas com olhos escuros e outras com olhos claros, a cor intrínseca do próprio dente é também algo muito específico. O potencial do branqueamento varia, por isso, de pessoa para pessoa», alerta Miguel Stanley.

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