Batalha por Soledar travada também em Moscovo

A rivalidade entre o exército e os mercenários russos está à vista. Kiev diz confiar na adesão rápida à UE e que é membro de facto da NATO.
Publicado a
Atualizado a

Kiev mantém que Soledar não caiu, embora em Moscovo a discussão seja outra, ou seja, sobre quem tomou a localidade vizinha de Bakhmut. Também na capital russa se debate o que é um traidor e que destino lhe dar, enquanto na capital ucraniana os dirigentes mostram-se otimistas sobre a adesão à UE e à NATO.

Na sexta-feira a Ucrânia rejeitou várias vezes que as forças russas tenham capturado Soledar, a última das quais pelo Estado-Maior das forças armadas, ao declarar que "a batalha continua". Informação contrária foi prestada pelo Ministério da Defesa russo. O seu porta-voz, Igor Konashenkov, declarou que "foi concluída a libertação da cidade de Soledar" na noite de quinta-feira.

Na sua intervenção, Konashenkov disse que a captura de Soledar foi possível "devido a constantes ataques terrestres e aéreos" pelo exército e por unidades de artilharia das forças russas, o que deixou a descoberto mais uma vez as rivalidades entre o exército e o grupo mercenário Wagner. "Tentam constantemente roubar a vitória aos mercenários do Wagner e falam da presença de alguém apenas para menosprezar os seus méritos", comentou Yevgeny Prigozhin, o poderoso dono da empresa.

Este lamento foi ouvido nas mais altas instâncias e, mais tarde, o Ministério da Defesa corrigiu a informação ao dizer que "o ataque direto às áreas da cidade de Soledar ocupadas pelas forças ucranianas foi levado a cabo pelas ações corajosas e abnegadas dos voluntários das tropas de assalto Wagner".

Outra discussão em curso refere-se ao destino da população russa que fugiu do país nos últimos meses. O presidente da Duma, Vyacheslav Volodin, sugeriu emendas à lei para definir o conceito de traidor e defendeu que os que estão fora da Rússia a "denegrir" o país devem ver os seus bens confiscados. O porta-voz do Kremlin Dmitri Peskov, porém, mostrou prudência, ao dizer que "o tema é complexo e que não se pode abrir uma caixa de Pandora".

Enquanto na Rússia se discute os méritos de operações militares e a eventual perseguição a cidadãos, na Ucrânia os dirigentes continuam a campanha pela assistência militar externa e, em entrevista à BBC, o ministro da Defesa disse estar confiante de que os aliados ocidentais vão acabar por fornecer à Ucrânia armas mais pesadas, tais como tanques e aviões de combate. E que, a Ucrânia se tornou membro da NATO. "De facto, não de jure. Porque temos armamento, e o entendimento de como o utilizar", disse Oleksiy Reznikov.

Já o primeiro-ministro Denys Shmyhal acredita que o seu país está perto de iniciar e logo depois concluir as negociações de adesão à União Europeia. "Esperamos completar este caminho em menos de dois anos. E então a Ucrânia tornar-se-á um membro de pleno direito da UE", disse numa reunião governamental.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt