Alunos do Kansas divididos entre teorias da evolução

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Como não hão-de andar confusas as crianças do Kansas? Até há seis anos, era-lhes ensinada em biologia a teoria darwiniana da evolução das espécies. Mas em 1999 foi eleito um Conselho de Educação conservador que estabeleceu que a evolução pura e simplesmente não existiu nas escolas, passou a ser ensinada a teoria do criacionismo, que todas as criaturas do mundo foram criadas por Deus na ordem e tempos descritos pela Bíblia.

Ou por outra como o Supremo Tribunal decidira que o criacionismo não podia entrar para os currículos académicos como ciência, como vingança suprimiram do ensino qualquer menção à teoria da evolução. O novo Conselho de Educação foi eleito em 2001, e a nova maioria faz regressar aos textos escolares a teoria da evolução. Os anti-evolucionistas não se deram por vencidos e gizaram uma nova estratégia: como estava visto que o criacionismo não conseguia bases científicas para se afirmar como matéria curricular, havia que dar-lhe novas roupagens.

É assim que surge a teoria do "desígnio inteligente" o mundo natural é tão complexo e tão bem ordenado que tem que haver uma causa inteligente para que isso aconteça. Ou como explica a Rede de Desígnio Inteligente, "há certos pormenores do universo e dos seres vivos que são melhor explicados por uma causa inteligente que por um processo indirecto como o da selecção natural. O Desígnio Inteligente está por isso em desacordo científico com as bases da teoria da evolução em que o aparente desígnio dos sistemas vivos é uma ilusão.

No ano passado, o Conselho de Educação pediu a uma comissão de educadores recomendações que o ajudassem a actualizar os parâmetros científicos do ensino, e, para separar definitivamente ciência e religião, que dessem uma definição de ciência. Foram apresentadas duas propostas antagónicas uma, apoiada pela maioria, propõe a manutenção dos actuais padrões, que abraçam a teoria da evolução, e que define ciência como "uma actividade humana de procura sistemática de explicações naturais para o que se observa no mundo à nossa volta". Para a outra, dos defensores do Desígnio Inteligente, ciência é "um método sistemático de investigação contínua que usa a observação, experimentação, mensuração, construção de teorias, teste de ideias e argumentos lógicos que levem a melhores explicações dos fenómenos naturais". O Conselho aceitou as duas propostas.

Depois disso, os conservadores voltaram a conquistar a maioria no Conselho de Educação e decidiram organizar na semana passada três dias de audiências públicas sobre o assunto. A Academia de Ciências do Kansas, a organização Cidadãos do Kansas pela Ciência e outros grupos ligados à ciência decidiram boicotar as audiências. Durante três dias, o que se passou no auditório foi um desfilar de personalidades defendendo o criacionismo e o Desígnio Inteligente, tendo como contestante apenas o advogado de direitos cívicos Pedro Irigonegaray.

Dentro de um mês, três membros do Conselho de Educação que promoveram as audiências vão apresentar as suas conclusões ao plenário de dez membros, que em Agosto vai votar os novos parâmetros científicos do ensino no Kansas. Para fazer desaparecer a teoria da evolução, as escolas vão ser desencorajadas a ensinar botânica, anatomia e fisiologia. Segundo os parâmetros vigentes, os alunos do 8.º ao 12.º anos devem aprender seis pontos sobre os organismos vivos, incluindo a biologia básica dos animais e das plantas. As novas propostas reduzem a dois pontos, o conhecimento geral de como os organismos são classificados e as principais diferenças estruturais entre os organismos.

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