Maior ataque aéreo russo desde a invasão faz 18 mortos

Além da capital, também Kharkiv (nordeste), Lviv (oeste) e Odessa (sul) foram alvo de ataques russos. O número de vítimas deve aumentar, à medida que prosseguirem as operações de socorro, segundo as autoridades ucranianas.
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Todo o território da Ucrânia está sob alerta aéreo, depois de a Rússia ter lançado esta sexta-feira uma série de ataques a várias cidades, incluindo a capital, Kiev, Kharkiv (nordeste), Lviv (oeste) e Odessa (sul). Há a registar 18 mortos e dezenas de feridos, uma contagem que poderá piorar à medida que as operações de socorro continuam, anunciaram as autoridades ucranianas.

"Quase 15 pessoas foram afetadas e quatro delas morreram" na região de Dnipropetrovsk, no centro-leste, disse o governador Serguiï Lyssak.

Já as autoridades locais relataram duas mortes em Kiev, dois mortos em Odessa (Sul), um morto em Kharkiv (Nordeste) e outro em Lviv (Oeste).

O alerta aéreo foi ativado em toda a Ucrânia por volta das 07:00 (05:00 em Lisboa).

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, indicou que foram disparados contra o país "cerca de 110 mísseis", sendo que "a maioria deles foram abatidos", num dos maiores ataques do género do ano.

"Certamente responderemos aos ataques terroristas. E continuaremos a lutar pela segurança de todo o país, de cada cidade e de cada cidadão. O terror russo deve e irá perder", declarou Zelensky nas redes sociais.

As forças russas utilizaram uma grande variedade de armas, incluindo mísseis balísticos e de cruzeiro, disse Zelensky, citado pela agência norte-americana AP.

O porta-voz da Força Aérea ucraniana, Yurii Ihnat, disse que a Rússia "aparentemente lançou tudo o que tinha" contra alvos em toda a Ucrânia.

Em Kiev, ouviram-se várias explosões, e o presidente da câmara pediu à população que procurasse abrigos. Ainda assim, Vitali Klitschko garantiu que a "defesa antiaérea está a funcionar ativamente".

Pelo menos três pessoas ficaram feridas num ataque a Konotop, na região de Soumy, no nordeste da Ucrânia, onde um bloco de apartamentos foi atingido, de acordo com a administração militar local. Três drones iranianos Shahed foram destruídos no local, acrescentou o exército.

A cidade de Kharkiv foi atingida por pelo menos dez ataques em duas vagas, que até agora não causaram vítimas, garantiu o chefe da administração militar local, Oleg Synegubov.

Um hospital no distrito de Kyivskyi foi danificado, disse a polícia local.

O presidente da câmara de Kharkiv, Igor Terekhov, afirmou que os ataques tinham sido efetuados por mísseis S-300 e X-22 e interrompido o fornecimento de eletricidade e a circulação de transportes públicos.

Em Odessa, um edifício foi danificado por um ataque durante a madrugada, mas o incêndio resultante foi rapidamente controlado, disse o presidente da câmara, Gennady Trukhanov.

Em Lviv, uma cidade mais raramente visada por se situar no extremo oeste da Ucrânia, o autarca Andriy Sadovyi falou de "dois ataques" num total de "dez [drones] Shaheds" e referiu ainda "um incêndio numa instalação crucial", sem dar pormenores.

As autoridades ucranianas registaram igualmente explosões na região de Dnipro.

De acordo com o exército, os ataques incluíram o lançamento de "mísseis guiados" por parte de bombardeiros russos Tu95MS.

Na quinta-feira, ataques russos mataram três pessoas e feriram nove num ataque de artilharia russa a duas aldeias nas margens do Dnieper, rio que separa os exércitos russo e ucraniano na região de Zaporijia, no sul da Ucrânia, de acordo com as autoridades locais.

O governador da aldeia de Bilenke, Iuri Malachko, precisou que todas as vítimas eram civis.

As forças russas também realizaram vários ataques na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, de acordo com a polícia regional.

Uma mulher sexagenária morreu devido aos ferimentos após um bombardeamento em Vovchansk, muito perto da fronteira com a Rússia, e outras duas mulheres ficaram feridas, disse a mesma fonte.

Três mulheres, com idades entre os 58 e os 76 anos, também ficaram feridas num ataque aéreo na vila de Glushkivka, disseram as autoridades.

Estes ataques surgem depois de um míssil Storm Shadow lançado pela aviação ucraniana ter conseguido, na terça-feira, causar o naufrágio do navio de desembarque russo "Novocherkassk" na Crimeia.

O Ministério da Defesa russo reivindicou, entretanto. ter atingido "todos os alvos" previstos, quer no intenso ataque lançado de madrugada contra alvos na Ucrânia, quer nos visados durante a semana.

"Todos os alvos designados foram atingidos", disse o ministério, acrescentando que a Rússia realizou mais de 50 ataques, incluindo um "grande" na Ucrânia, entre 23 e 29 de dezembro, contra infraestruturas militares, depósitos de munições e locais onde estavam destacados soldados ucranianos e mercenários estrangeiros.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou esta sexta-feira estar chocado com a nova vaga de ataques russos na Ucrânia e apelou a Moscovo para que lhes ponha fim imediatamente.

"Estou chocado com a nova série de ataques coordenados e em grande escala com mísseis e drones", que provocaram, segundo Kiev, pelo menos 18 mortos e 132 feridos, disse Türk numa declaração.

No documento, Türk apelou à Rússia para "pôr fim imediato" aos ataques na Ucrânia e a "respeitar as leis internacionais que regem os conflitos".

De acordo com as autoridades ucranianas, pelo menos 122 mísseis e 36 'drones' (aeronaves sem tripulação) atingiram Kiev, a capital do país, Kharkiv, entre outras localidades.

Os combates na linha da frente estão, em grande parte, afetados pelo inverno, depois de a contraofensiva de verão da Ucrânia não ter conseguido avanços significativos nos cerca de mil quilómetros da linha de contacto.

Kiev tem apelado aos aliados para fornecerem mais defesas aéreas para se proteger contra ataques como o desta sexta-feira, numa altura em que os sinais de cansaço da guerra pressionam os esforços para manter o apoio.

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