Ainda é possível salvar o ano letivo. Haja método e motivação

Passar de uma negativa para uma positiva ou subir a média pode implicar uma mudança de atitude. É importante rever conteúdos
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Falta apenas um período de aulas até ao final do ano letivo, mas nada está perdido. Catarina Henriques, de 16 anos, sabe que não tem muito tempo, mas acredita que ainda é possível atingir os objetivos que traçou. "Não tenho nenhuma negativa, mas quero melhorar, subir a média", diz ao DN.

Aluna do 11.º ano do curso de Ciências e Tecnologias, a jovem espera subir o 13 que tem a Matemática e o 12 de Físico-Química. "Tenho a ajuda da explicação, mas sei que preciso de fazer mais exercícios, estudar mais e empenhar-me mais", assume, acrescentando que costuma fazer resumos, esquemas e exercícios.

O DN falou com alguns especialistas para perceber como é que os estudantes podem melhorar as notas até ao final do ano letivo. Ainda é possível levantar algumas negativas, mas têm de existir objetivos, motivação e métodos de estudo. Só assim, e com orientação dos encarregados de educação, será possível salvar o ano.

"É possível, se houver vontade e motivação. Ainda vão a tempo de recuperar o tempo perdido", defende Jorge Rio Cardoso, professor universitário e autor de livros como Este Ano Vais Ser o Melhor Aluno. Bora lá?. Um estudante que teve negativa no primeiro e no segundo período pode conseguir tirar positiva no terceiro, mas, para isso, precisa de se "reconciliar com o passado". Quer isto dizer que precisa de falar com os professores, saber o que não correu bem nos dois primeiros períodos, e melhorar. "As férias podem servir para fazer revisões para não perder o comboio." É tudo uma questão de "atitude perante o estudo e o professor".

Uma opinião semelhante é partilhada por Catarina Calado, psicóloga com especialização na área da educação: "Estamos na reta final. Os dois primeiros períodos são muito importantes, mas depende de cada caso e de como está o panorama neste momento. É possível mudar de atitude e, muitas vezes, isso é o suficiente para o aproveitamento ser melhor. Se o aluno tem sete negativas, será difícil levantá-las na totalidade, mas a mudança de atitude tem um contributo muito importante."

Quatro pilares

Segundo Jorge Rio Cardoso, as razões do insucesso escolar prendem-se com desmotivação e falta de resiliência, falta de foco, de concentração, dificuldade de interpretação, falta de autonomia, de disciplina e regras. Para o estudante atingir melhores resultados, considera que são essenciais quatro pilares: apontamentos, técnicas para ter a certeza de que sabe a matéria (ler e reler, sublinhar, mnemónicas, simular aulas, esquemas, mapas mentais), questionar e relacionar os conteúdos e os exercícios. "Se estiver tudo bem feito, a nota aparece", assegura o professor universitário.

Se as dificuldades forem na disciplina de Matemática, "primeiro é preciso ver regras e fórmulas e depois praticar muito". Sempre do mais fácil para o mais difícil, para o aluno não desmotivar. Para isso, também é importante que o jovem tenha vida para lá dos estudos. "Se estiver triste, não vai aprender", alerta.

Catarina Calado ressalva que "nem sempre estudar mais é estudar melhor". Para a psicóloga, o primeiro passo é trabalhar a motivação. "Mas mesmo com motivações baixas é possível trabalhar por objetivos, criando metas". Para as alcançar, "o método é fundamental". Isso implica planificação, ler, sublinhar, memorizar, ter noção do que se sabe ou não.

Fazer exercícios é fundamental. "Aprender é ser capaz de recolher informação, memorizá-la e aplicá-la. Não basta adquirir o conhecimento", destaca a especialista em educação. É preciso que a informação faça sentido para que surjam respostas organizadas.

Explicações podem ajudar

As explicações são, muitas vezes, uma ajuda para subir as notas. José Carlos Ramos, diretor de franchising da Explicolância, explica que, nos centros, o processo começa com uma reunião "para conhecer a motivação do aluno para subir as notas". Posteriormente, definem-se objetivos. Segue-se o plano de trabalho. "As explicações individuais são a estratégia mais eficaz para melhorar resultados. Depois adaptamos o trabalho às necessidades", diz.

No período de testes há um reforço do número de horas de explicações. Mas é necessário "continuar o trabalho em casa". E os pais têm um papel "fundamental", ao nível da "orientação, supervisão e educação".

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