O adiamento da maternidade e a melhoria dos cuidados médicos veio contribuir para o crescimento das gestações de risco. O que é uma grávida de risco? É qualquer grávida com doença médica crónica ou com outros fatores de risco, sejam eles comportamentais ou socioeconómicos, com antecedentes obstétricos anómalos ou problemas surgidos durante a gravidez em curso..Classificar uma gravidez como sendo de "alto risco" é sinalizar a necessidade de cuidados específicos por existir um risco acrescido para a saúde da mãe ou do bebé. Todas as grávidas devem ser avaliadas cuidadosamente, para que o risco, caso exista, seja identificado e devidamente acompanhado..Um risco acrescido pode ser, por exemplo, a existência de Diabetes, de Hipertensão, a patologia tromboembólica e auto-imune ou a idade materna igual ou superior a 40 anos. Entre outros fatores, destaca-se a obesidade ou o excesso de peso, que tornam as grávidas mais suscetíveis a terem diabetes, hipertensão arterial, tromboses e embolias, assim como maior risco de partos vaginais complicados e de cesarianas..Para melhorar o desfecho destas gravidezes, é muito importante a vigilância numa unidade diferenciada e, sobretudo, a existência de uma consulta pré-concecional. A avaliação médica destas mulheres na fase prévia à conceção, possibilita o estudo da doença sem as limitações da gravidez, a identificação do momento adequado para engravidar e a partilha de informação com os casais, muitas vezes já com maus desfechos anteriores..Cada casal deve receber toda a informação necessária nas diferentes etapas. Reforço mais uma vez que a vigilância da gravidez não deve começar quando há um teste positivo ou uma falha menstrual, mas sim meses antes. Quando existem antecedentes obstétricos desfavoráveis, é necessário avaliar as causas, determinar o risco de recorrência e iniciar medidas preventivas. Nas mulheres com doenças crónicas, é importante informar sobre o impacto da doença no desfecho da gravidez e da gravidez na doença de base..No passado, existiam mais contraindicações absolutas para engravidar. Atualmente é preciso dar esperança às grávidas com doenças prévias, esclarecendo que as contraindicações são relativas, dependem do seguimento em consulta, da otimização da terapêutica e do "timing". Por isso mesmo, existem, na Unidade de Alto Risco Obstétrico do Hospital CUF Descobertas, várias consultas especializadas destinadas ao aconselhamento e à vigilância das mulheres com fatores de risco, desde a fase pré-concecional até ao período pós-parto..O objetivo é claro: impedir a mortalidade materna e do recém-nascido. Para tal, é necessária a colaboração de uma equipa multidisciplinar, que engloba não só médicos obstetras, mas, também, auxiliares de ação médica, enfermeiros de saúde materna e médicos de outras especialidades..A vigilância destas grávidas em consultas especializadas, integradas em Unidades de Alto Risco Obstétrico, onde seguem um plano de vigilância individualizado, tem permitido o nascimento de crianças saudáveis e a quase ausência de complicações maternas..Ginecologista-obstetra no Centro da Mulher do Hospital CUF Descobertas