Abolir jatos privados. Ativistas pintaram balcões e máquinas de raio-x do aeródromo de Tires

Ativistas do movimento Scientist Rebellion e da campanha "Abolir Jatos Privados" inutilizaram com tinta balcões das empresas de jatos privados e as máquinas de raio-x do aeródromo de Tires, em Cascais.
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O aeródromo de Tires, em Cascais, foi, na manhã desta terça-feira, palco de uma ação do movimento Scientist Rebellion e da campanha "Abolir Jatos Privados". Ativistas informam que inutilizaram, com recurso a tinta vermelha, "os balcões das empresas de jatos privados e as máquinas de raio-x", exibindo uma faixa onde se podia ler "vosso luxo, nossa sobrevivência".

De acordo com o comunicado do movimento Scientist Rebellion, "dezenas de pessoas permaneceram no espaço até o inutilizarem com tinta, saindo calma e ordeiramente após a ação".

Além de inutilizarem os balcões e as máquinas de raio-x, "cientistas" da Scientist Rebellion "colaram no exterior" do aeródromo de Tires "estudos sobre o impacto danoso dos jatos privados".

Respondendo à campanha internacional Make Them Pay, os ativistas portugueses entraram nas instalações do aeródromo de Tires para alertar sobre o impacto de viajar através deste meio de transporte. "Estamos a afetar apenas os 1%: os mais ricos, os mais culpados pela crise climática, que usam o seu poder para bloquear soluções reais - têm de ser pessoas normais a agir", referem os ativistas.

"Uma viagem de jato privado custa milhares de euros, e emite mais CO2 que uma família média portuguesa num ano inteiro. É a forma mais rápida e injusta de queimar combustíveis fósseis", considera Carolina Falcato, porta-voz da campanha Abolir Jatos Privados. "Não podemos permitir que um grupo minúsculo de ultra-ricos privilegie o seu luxo, e ponha em causa o nosso presente e futuro", acrescentou a ativista.

De acordo com Sara Gaspar, "cientista do grupo Scientist Rebellion, os 1% mais ricos são responsáveis, segundo o relatório de Emissions Gap da ONU, por cortar mais de 97% das suas emissões pessoais", pode-se ler na nota. "Viajar em jatos privados é completamente imoral e inapropriado durante a crise climática que estamos a viver", sublinhou a porta-voz.

"É um crime do luxo contra a vida. Mas os ultra-ricos mandam no Governo. A nossa casa está a arder, os culpados nunca vão agir, toda a gente tem de parar o fogo", afirmou um ativista durante a ação, que foi filmada em direto para as redes sociais.

Comunicado sublinha ainda que a campanha internacional Make Them Pay marcou esta terça-feira "com múltiplos bloqueios" em "todo o mundo".

Os ativistas anunciam "mais protestos disruptivos nos próximos meses". "Temos de aplicar pressão, principalmente nas elites, para lidar com estas desigualdades de uma vez por todas", defendem.

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