A semana em que Zapatero deixou de rir

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O Presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, acaba de viver a semana mais negra desde que ascendeu ao cargo, em 2004. Os espanhóis e a opinião pública internacional estão perplexos face aos últimos acontecimentos que puseram o país vizinho no ponto de mira e cujas consequências imediatas foram a desconfiança dos investidores e a queda do Ibex 35, o índice da Bolsa de Madrid, que na quinta-feira perdeu cerca de 6%, a maior queda desde a descida histórica de Novembro de 2008.

O que sucedeu para que Zapatero tenha perdido o sorriso, a sua imagem de marca, que o identificava até agora? Os infortúnios, para o Presidente do Governo espanhol, começaram a 28 de Janeiro, no prestigiado Fórum de Davos, quando o puseram sentado junto dos seus homólogos da Letónia e da Grécia - as economias que estão no fundo da tabela da Europa. O socialista, que não sabe inglês nem nenhuma língua estrangeira, teve o azar de ver avariado, naquela sessão, o sistema de tradução simultânea. Tiveram de pôr ao seu lado uma tradutora de inglês, com o consequente embaraço que isso lhe provocou, agravado pelas perguntas comprometedoras sobre a delicada situação da economia espanhola.

No dia seguinte, o seu Governo anunciava de surpresa uma proposta de lei para elevar a idade da reforma dos 65 para os 67 anos. Mas o verdadeiro temporal ocorreu esta semana, quando o Executivo de Madrid enviou à Comissão Europeia o programa de estabilidade para o período 2009-2013, sem explicar aos espanhóis, nem aos restantes grupos políticos, que pretendia elevar para 25 anos a base para calcular as pensões, que actualmente está fixada em 15 anos. Mal se conheceu a notícia, os sindicatos ameaçaram com uma greve geral.

Se a tudo isto acrescentarmos os últimos dados do desemprego, que põem Espanha à cabeça da Europa, com mais de quatro milhões de desempregados - cerca de 20% da população activa - e as advertências do comissário europeu Joaquín Almunia, perceberemos a desconfiança dos investidores e a queda das intenções de voto em Zapatero. As últimas sondagens dão ao PP, principal partido da oposição, uma vantagem sobre o PSOE, do primeiro-ministro.

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