A água como fonte de inspiração

Londres Conceito arquitectónico do centro aquático é inspirado na geometria fluida da água em movimento e em espaços em sintonia com a paisagem ribeirinha que o envolve, na zona de Stratford, junto ao rio Tamisa.<br />
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A água, enquanto forma e conteúdo, foi a grande fonte de inspiração de Zaha Hadid para a concepção do Centro Aquático dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, a celebrar em 2012 em Londres. Conforme referiu à organização do evento, "o conceito arquitectónico do Centro Aquático é inspirado na geometria fluida da água em movimento, criando espaços e uma envolvente em consonância com a paisagem ribeirinha".

Situado em Stratford, na zona do East End londrino e sobranceiro ao rio Tamisa, o Centro Aquático irá ser um dos edifícios mais emblemáticos do evento, marcando a entrada do Parque Olímpico, actualmente já um dos maiores parques urbanos da Europa.

Para os visitantes, é o primeiro edifício a ser avistado, precedendo o Estádio Olímpico, da autoria de Peter Cook.

Para tal contribui a sua forma sinuosa, mais próxima da escultura do que da arquitectura, encimada por uma cobertura em S que evoca o movimento ondulante da água. Esta cobertura, qual jóia da coroa, é o principal elemento arquitectónico do conjunto, com componentes de concepção e execução inovadores na arquitectura contemporânea.

Zaha Hadid, arquitecta e matemática, tem vindo a explorar simultaneamente novas dimensões do espaço e matérias e soluções construtivas para o definir.

Se numa fase inicial da sua obra dominavam as formas angulares, a linha recta e a verticalidade, materializadas em elementos pesados como o betão, actualmente tende para as formas sinuosas, linhas curvas e horizontalidade e matérias "leves, como à base de plásticos, madeira ou alumínio.

O Centro Aquático, capacidade para 17 500 espectadores numa fase inicial, alberga duas piscinas de 50 metros de comprimento e diversas para mergulho e pólo aquático . A sua cobertura , com cerca de mil metros quadrados de área e 160 metros de comprimento, é, no entanto, um elemento flexível, isto é, tem capacidade para se contrair e retrair em função das condições climatéricas de temperatura, neve ou vento. Isto só é possível graças à concepção estrutural, com apenas três grandes apoios, e aos materiais de revestimento escolhidos, extremamente elásticos, como o alumínio e a madeira.

Preocupações de sustentabilidade determinaram que o alumínio fosse em mais de 50 por cento de origem reciclada, e a madeira de florestas certificadas. O ciclo de vida do edifício também foi contemplado, pelo que, após o evento, o Centro irá ser compartimentado em diversas piscinas independentes e autónomas, e a lotação passará a 2500 espectadores.

A margem do rio Tamisa, já repleta de edifícios que competem em visibilidade e mediatismo, irá ter mais um protagonista, desta vez uma silhueta sinuosa e feminina cheia de personalidade, qual diva da água.

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