'Rei Ghob' assumiu relações amorosas com Tânia e Ivo

Francisco Leitão, o alegado triplo homicida de Carqueja disse, no Tribunal de Torres Vedras, que teve uma relação de um ano com Tânia, viveu quatro anos com Ivo e era apenas amigo de Joana.
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Francisco José da Cruz Leitão, 41 anos, ou "rei Ghob", assumiu factos que tinham a ver com as suas relações amorosas com duas das alegadas vítimas no primeiro interrogatório judicial, perante o juiz de instrução e a procuradora, no Tribunal de Torres Vedras, a 21 de Julho. Segundo contou fonte conhecedora do processo ao DN, Francisco Leitão negou as provas em que a Polícia Judiciária e o Ministério Público assentam o caso de triplo homicídio contra si.

Provas como os cartões dos telemóveis das vítimas usados em aparelhos seus após o desaparecimento de Tânia, Ivo e Joana. Ou ainda as fotomontagens de Ivo encontradas em computadores seus apreendidos pela PJ nas quais o jovem aparecia em diversos locais no estrangeiro - sendo um deles a capital francesa, Paris, - após o desaparecimento, em meados de Junho de 2008. Fotos que teriam sido mostradas por Leitão aos pais de Ivo. O suspeito não soube explicar quem fez as fotomontagens e garantiu nada ter a ver com elas.

Questionado em tribunal sobre se já tinha estado preso, Francisco Leitão admitiu que já respondeu à justiça por duas vezes, uma pelo crime de falsificação de documentos e burla e outra por posse de arma proibida, adiantou a mesma fonte ao DN. Negou ter assassinado Tânia, Ivo e Joana.

Sobre Tânia Ramos, a primeira a desaparecer, a 5 de Junho de 2008, com 27 anos, Francisco Leitão declarou que a conhece desde miúda e que teve uma relação amorosa com ela, tendo chegado a dormir juntos. Essa relação durou um ano. Francisco Leitão alegou que se afastou de Tânia a partir da altura em que ela foi agredida pelo marido e foi internada no Hospital de Torres Vedras. Segundo apurámos, Francisco Leitão disse em tribunal que nunca mais viu Tânia, a pedido da própria. A última vez que a viu, declarou, foi antes de ela ter sido internada no hospital. O suspeito não explicou como é que o cartão de telefone da Tânia foi usado num telemóvel seu, após o desaparecimento da jovem, a 5 de Junho de 2008. Argumentou apenas que teve vários telemóveis que foi cedendo, uma justificação que também deu para os casos de Ivo e Joana. O "rei Ghob" alegou ainda que a sua casa foi assaltada e lhe foi furtado um telemóvel Nokia mas que não participou o furto.

No primeiro interrogatório, Francisco Leitão afirmou ter mantido com Ivo Delgado uma relação amorosa que durou cerca de quatro anos e que era já de união de facto, segundo informações que o DN confirmou com a mesma fonte. Foi pedido a Francisco Leitão que explicasse o facto de nos seus computadores terem sido encontradas fotomontagens de Ivo, que o colocavam em diversos locais, como França, após o seu desaparecimento, em meados de Junho de 2008, cerca de 21 dias depois de Tânia desaparecer. Francisco Leitão não explicou as fotos nem o facto de o cartão de telemóvel de Ivo ter sido apreendido pela PJ na sua casa-castelo de Carqueja.

Segundo o depoimento de Francisco Leitão, a 26 ou 27 de Junho de 2008, Ivo disse-lhe que precisava de deixar a casa-castelo de Carqueja, por estar com "problemas" com a polícia. O Ivo entregou-lhe o Audi A4 e foi-se embora com outros dois rapazes que tinham vindo com ele, num outro automóvel. O Ministério Público não considerou esta história "plausível", apurámos. Francisco Leitão testemunhou também que foram os pais do Ivo que lhe entregaram o cartão multibanco do rapaz após o seu desaparecimento. Mas os pais de Ivo, no depoimento que prestaram, negaram a versão do suspeito.

O Ministério Público utilizou também a testemunha "João da Roulotte", indicada por Leitão, para refutar as declarações do suspeito. João declarou que Francisco Leitão lhe pediu para que dissesse à família do Ivo que tinha visto ou encontrado o jovem de 22 anos. "João da Roulotte" negou que na viagem que fez com Leitão e o pai de Ivo, a Badajoz, tivessem avistado o jovem, como o suspeito disse que aconteceu. "João da Roulotte" declarou que fazia o que o Leitão lhe pedia por uma "dívida de gratidão".

Francisco Leitão declarou ter conhecido a jovem Joana Correia cerca de um ano antes de ela ter desaparecido. Foi apenas uma amizade, disse. Afirmou que não enviou qualquer mensagem à Joana no dia do seu desaparecimento, 3 de Março de 2010, e que nunca trocaram 182 sms, como alega o Ministério Público, fundando-se nos registos dos cartões apreendidos pela PJ.

Leitão negou que tivesse introduzido o cartão de telemóvel de Joana num telemóvel seu, após o desaparecimento da jovem a 3 de Março de 2010.

O suspeito negou que nesse dia tenha estado sequer com Joana. Também negou ter abordado a amiga de Joana, Beatriz, por duas vezes e que lhe tenha pedido para ela não contar nada à polícia da troca de mensagens entre ele e Joana.

Os corpos dos três jovens ainda não apareceram, apesar das buscas da PJ em vários locais.

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