Maria Fernanda, 45 anos, é uma das centenas de pessoas que, à entrada do Hospital de Santo António, no Porto, esperam para visitar familiares ou amigos ali internados. Mas não faz ideia de que aquela unidade é um hospital SA "Eu não sei, não fazia ideia", afirma, argumentando mesmo que não notou quaisquer alterações no serviço prestado aos utentes. "Imagino que essas alterações tenham mais a ver com a orgânica do hospital, até porque se olhar à sua volta vê que nem sequer há espaço para toda a gente que aqui está", diz ao DN, referindo-se à multidão que se estende até ao exterior, já que a sala de espera não tem capacidade para tanta afluência..O desconhecimento sobre a gestão empresarial daquele hospital é, aliás, comum a muitos outros que ontem se dirigiram, por uma razão ou outra ao Hospital santo António. Alguns admitem "já ter ouvido qualquer coisa", como é o caso de Mário Barros, 35 anos. Com a filha bebé ao colo, comerciante de profissão, admite ter conhecimento "dessas alterações", mas não no caso específico do Santo António. "Se houve melhorias não sei, não noto, acho que este hospital está igual", acusa, lembrando que a única situação benéfica naquela unidade foram as obras recentes.."Eu só sei que passo a vida a ouvir que faltam enfermeiros e pessoal, por isso não sei onde é que possam estar as melhorias", diz por sua vez Ermelinda Santos, apesar de garantir que nunca teve "grandes razões de queixa". "Já se sabe que não é chegar aqui e ver logo o nosso problema resolvido, é preciso esperar", acrescenta a reformada, que também não foge à regra quando questionada sobre o funcionamento das sociedades anónimas "Não sei o que isso é, por isso não posso falar."