Premium Soldado desconhecido: testemunhos das trincheiras

Ela foi a grande guerra, tantas vezes mal escrita, com maiúsculas, porque se houve coisa tão substantiva foi ela. Ela é para ser escrita terra a terra, como a terra rasa da Flandres, onde os campanários, as escolas das aldeias e as árvores dos caminhos foram reduzidos a pó em cinco anos de morteiros. Ela foi a mãe de todas as guerras. E para explicar tanta grandeza da guerra é indecente alinhar outras palavras senão as coisas, entre as quais os homens feitos coisas.

O português André Brun era um escritor do teatro levezinho e galhofeiro (A Vizinha do Lado, A Maluquinha de Arroios...) e já tinha 36 anos quando foi recrutado. Teve a sua a guerra, conheceu os seus homens e deles escreveu A Malta das Trincheiras. E deu um subtítulo, Migalhas da Grande Guerra, porque era preciso contar o muito pequeno para percebermos aquele mundo. O mundo estava naqueles túneis de terra preta, enlameada ou gelada, pouco mais largos do que os ombros de homens - as trincheiras.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.