"Nunca vi coisa assim, o fogo voava"

Na freguesia da Graça, Pedrógão Grande, chora-se os mortos e quem está vivo dá "graças a Deus".

O banco da paragem de autocarro no lugar de Nodeirinho, freguesia da Graça, Pedrógão Grande, é o ponto de descanso de Eugénio Santos. A "noite terrível" já passou, mas perdurará na sua memória e nos habitantes do concelho. "Nunca vi coisa assim, o fogo voava", contou ao DN, enquanto confortava o amigo, Manuel Costa.

Ambos passaram a noite em claro, não a combater o fogo, mas a fugir dele. "Aquilo voava".. Na aldeia resta a memória dos mortos, "do Amílcar das peças", "da sogra do Aníbal e a mulher", a "neta", a "filha do Ricardo". Tudo gente da terra, que ou perdeu a vida, ou casa ou esteve quase a morrer.

A forma como o fogo se expandiu pelas várias freguesias, provocando a morte a 63 pessoas, é o que mais assusta na memória das pessoas. "O vento transportava as labaredas", recordou Manuel Faria, dono de uma serração apenas afetada parcialmente.

"No ar via-se um tufão com o fogo que varreu tudo", acrescentou o companheiro de Manuel Costa, enquanto se deixava cair tranquilamente no banco da paragem de autocarro. Na noite anterior, contou Eugénio, ajudou muita gente, mas ainda não tinha tido notícias do filho.

Enquanto nas aldeias se choram os mortos e quem está vivo dá "graças a Deus", no centro de Pedrógão Grande está instalado o centro de comando, que coordena as operações de combate ao incêndio, assim como a identificação das vítimas.

Segundo um alto responsável da administração interna ouvido pelo DN, o panorama para o dia de hoje não é o melhor: "a carta de ventos indica ventos muitos fortes em todas as direções". Isto mesmo tinha já referido o secretário de Estado da Administração Interna Jorge Gomes, durante um briefing matinal aos jornalistas.

Pelo menos 62 pessoas morreram no incêndio que atinge Pedrógão Grande e outros dois concelhos do distrito de Leiria desde sábado, disse hoje o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes. O Governo decretou entretanto três dias de luto nacional.

Ao início da tarde, o primeiro-ministro António Costa chegou a Pedrógão Grande, onde disse aos jornalistas que "chegará o momento de apurar o que é que aconteceu". "Sabíamos que era um dia de risco, houve mais de 56 incêndios, e este teve uma dimensão de tragédia humana de que não havia memória".

O primeiro-ministro explicou ainda que "a prioridade tem sido dada ao combate aos incêndios que ainda estão a lavrar, à identificação das vítimas, não só as que já foram encontradas como porventura as que ainda vamos encontrar, porque há zonas a que ainda não conseguimos ter acesso, e prever o que pode acontecer logo à tarde", referiu.

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