Bombeiros estão à beira da asfixia financeira

Corporações ainda não receberam despesas do combate a incêndios e transporte de doentes. Subsídios de Natal congelados

Dezenas de corporações de bombeiros estão perto da asfixia financeira, há salários em risco e quem ainda não tenha recebido subsídio de Natal. A denúncia é de Jaime Marta Soares, presidente da Liga de Bombeiros, que, em declarações ao DN, confirmou as suspeitas de um conjunto de deputados do PSD: as despesas extraordinárias do combate aos incêndios deste verão ainda não foram pagas, assim como o ministério da Saúde está a dever aos bombeiros 25 milhões de euros pelo transporte de doentes. Conclusão: "Em dezenas de corporações há salários em risco e o subsídio de Natal não foi pago aos funcionários", disse Jaime Marta Soares.

As dívidas do Estado aos bombeiros foram alvo de pedidos de esclarecimentos por parte de um grupo de deputados do PSD aos ministérios da Saúde e da Administração Interna. "Neste momento há instituições com salários em atraso, com viaturas paradas e com processos judiciais por parte de credores porque o Ministério da Saúde deve 25 milhões de euros pelo transporte de doentes e a Administração Interna ainda não regularizou as despesas com o dispositivo de combate a incêndios do verão de 2016", afirmam os deputados sociais-democratas Duarte Marques, Nuno Serra, Miguel Santos, Maurício Marques, Carlos Abreu Amorim e Carlos Peixoto.

Ao DN, Jaime Marta Soares confirmou o valor em causa em relação ao transporte de doentes, acrescentando que esta é uma atividade que provoca muita despesa nas corporações, desde a manutenção das viaturas aos combustíveis e pagamentos a bombeiros. Depois de várias reuniões com corporações de bombeiros, os deputados do PSD recolheram testemunhos no sentido de que os atrasos no "transporte de doentes se tem agravado, provocando ainda maior instabilidade na já de si frágil situação destas associações humanitárias".

"Pelo que conseguimos apurar o problema de atrasos nos pagamentos de transporte de doentes não diz respeito a um hospital em particular, mas sim um pouco por todo o país", declararam. O DN procurou um esclarecimento sobre esta matéria junto do Ministério da Saúde, mas, até à hora de fecho desta edição, não obteve resposta.

No que diz respeito aos incêndios, as chamadas despesas extraordinárias têm sido pagas, segundo os deputados do PSD, "normalmente até no final de cada mês, e tudo ficaria saldado até meados de novembro.

"Neste momento há corporações que, apesar de toda a documentação entregue, não receberam um único euro." Ao DN, Jaime Marta Soares confirmou o procedimento descrito. "Não quero acreditar que os pagamentos estão a ser empurrados para janeiro, de forma a que a despesa não entre nas contas de 2016. Estamos a falar de um serviço de assistência permanente aos cidadãos", concretizou.

O Ministério da Administração Interna (MAI) garantiu ao DN que irá saldar o montante em falta até ao final do presente mês.

"As despesas extraordinárias relativas ao Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais são pagas em vários momentos durante e terminada a época de incêndios. Estamos a falar de rubricas como despesas de material danificado, combustíveis ou viaturas acidentadas", explicou o ministério de Constança Urbano de Sousa. "Até ao final da próxima semana, e desde que os processos de validação das contas apresentadas estejam encerrados, o MAI cumprirá as suas responsabilidades perante as associações humanitárias", finalizou o ministério.

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