João Costa:"Não há nada mais fácil do que reprovar maus alunos e ser professor de bons"

Secretário de Estado da Educação nega que escolas estejam a ser incentivadas a passar alunos que não sabem. E diz que tudo o que está a ser feito é para garantir que estes aprendem

As escolas apresentaram mais de um milhar de medidas para o Programa Nacional de promoção do Sucesso Escolar. Ficou surpreendido com estes números?

Fiquei agradavelmente surpreendido porque isto significa que as escolas corresponderam àquilo que era a nossa expetativa: adequar medidas àquilo que são as suas necessidades específicas. Em vez de termos uma generalização de um determinado conjunto de medidas, temos as adequadas a cada contexto.

Mas uma dispersão tão grande de medidas não tem como contraponto a dificuldade de verificar a sua eficácia?

A eficácia vai ser aferida pelos resultados. Se os alunos aprenderem mais e melhor, significa que as medidas estão a ser eficazes. Este plano assenta num princípio, que é o princípio da diferenciação pedagógica como estratégia chave do sucesso. A diferenciação é o contrário da padronização.

Porque as escolas e os professores conhecem melhor do que ninguém os seus alunos?

Claro. Os alunos e também o potencial instalado que têm para o desenvolvimento. Dois professores diferentes podem chegar aos mesmos resultados por estratégias completamente diferentes. O que temos é de valorizar o melhor que há em cada professor para chegar aos melhores resultados.

Como é que se avalia esses resultados? Com a avaliação interna, com provas de aferição e exames?

Estamos a falar de todos. Em primeiro lugar dos internos. Há uma dimensão que não é estatística. Ao contrário do que alguns tentam dizer, não há qualquer pressão para passar os alunos ou seja o que for. O que há, sim, é uma recomendação de desenvolvimento de estratégias para que eles aprendam. E a prova de que isto está a acontecer é que a maior parte das medidas são dirigidas ao primeiro ano, onde não há retenção. Se estivéssemos aqui a fabricar números, não seria dirigido ao primeiro ano.

Está a referir-se a uma notícia de há dias relativa a alegadas pressões sobre as escolas para promover o facilitismo...

É falso. Dissemos às escolas que queremos que desenvolvam estratégias para promover melhores aprendizagens dos alunos. Dizer que isso é uma recomendação para passarem alunos sem aprenderem é falso.

Portugal continua a ter níveis de retenção entre os mais altos do mundo mas sempre que se anunciam planos contra o insucesso surgem acusações de facilitismo. A que atribui essa ideia?

Em Portugal ainda há uma representação social sobre a escola que considera que promover sucesso é ser facilitista, quando não há nada mais fácil do quer reprovar maus alunos e ser professor de bons alunos. Isso é que é fácil. O que é verdadeiramente exigente e difícil é conseguir levar a aprendizagem àqueles que não têm condições para aprender e aos que não querem aprender. Os professores que trabalham em contextos socioeconomicamente desfavorecidos, em alguns casos excelentes professores, sabem a exigência que está associada a essa tarefa.

Está a fazer um apelo à vocação de professor. Acredita esta existe de forma generalizada na nossa classe docente?

Pelo entusiasmo com que as escolas aderiram a este plano, acredito que sim. Mas há outras medidas: não está tudo nos ombros dos professores. O trabalho que estamos a fazer sobre o currículo, para permitir que este deixe espaço para a diferenciação pedagógica. E, porque sabemos que há muitos fatores que são externos às escolas, estamos a trabalhar com as autarquias para o apoio a este plano. Por exemplo, há autarquias que estão a investir em equipas multidisciplinares para promover o envolvimento parental.

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