Aquele rapazito ia tão contente. Mostrou-se em selfie, "una cabeza de un noble protrillo", todo ele ria-se. Era zagueiro e tomava-se por potro indomável a caminho de Medellín, para "un final reñido". Disse: "Vai começá, vai começá a viagem, aí, ó..." E ria-se, e riam-se dele os amigos, o volante e o meio-campista. Ia começar, enfim, a glória, "por una cabeza, todas las locuras", como diz um tango. Clube modesto, com nome de quarta divisão, Chapecoense, da modesta Chapecó. Ia à procura de um título continental, uma história improvável. A Chapecoense contra o Atlético Nacional, de Medellín, campeão intercontinental, duas Copas Libertadores da América, o maior campeão colombiano, equipa à qual a FIFA chama de clássica. Vai começá, e porque não chegar longe, neste ano de todas as improbabilidades? O rapazito, breve como um selfie e com sorriso de ganhador, "yo me juego entero, qué le voy a hacer"... Chegou-nos o selfie tarde, já sabíamos dele, tudo. E não foi mais uma surpresa à maneira de 2016, Chapecó não será a campeã da América dela. Nem houve apito de começo de jogo, só silêncio de fim de tudo. "Acabou o sonho", apitou em lágrimas o patrão da Chapecoense. "Cuantos desengaños", uma tanguédia. Acabou, como naquele dia mais antigo, 1935, também ali em Medellín, outros fazedores de sonhos, Carlos Gardel, música, Alfredo Le Pera, letra, autores do mais belo dos tangos, Por Una Cabeza, se acabaram ambos, noutro desastre de avião.