Marcelo está a perder a paciência

A entrevista de Azeredo Lopes ao DN e à TSF não se resume ao título que os jornalistas escolheram, mas ele reflete exatamente o que disse o ministro da Defesa. O ministro não faz a mínima ideia do que aconteceu em Tancos. Ora, acontece que o comandante supremo das Forças Amadas está cansado de pedir conclusões o mais rapidamente possível para que se definam responsabilidades e se punam os responsáveis.

Foi por causa do assalto aos paóis de Tancos (que só teoricamente pode não ter acontecido) que o Presidente da República nos disse que tinha ido até ao limite dos seus poderes. Não esquecer que o comandante supremo, levando o ministro atrás, foi a Tancos para se inteirar das investigações que de imediato se começaram a fazer. O poder político foi conhecer o local do crime num momento em que a Polícia Judiciária (militar e civil) iniciava a investigação que continua a ser feita com total autonomia. Leva o seu tempo.

A questão é que não é preciso esperar pela investigação criminal e pela prisão dos culpados, que pode aliás nunca acontecer, para apurar responsabilidades políticas e operacionais. Já passaram quase três meses, é tempo mais do que suficiente para se saber onde se falhou e quem falhou. A leveza com que o ministro da Defesa fala sobre este caso grave contrasta muito com a assertividade com que o Presidente da República o faz. Para o Chefe do Estado, não há como não considerar grave aquele assalto, para ele não faz sentido jogar com o tempo à espera de que a vergonha se perca com o tempo. Por tudo o que tem dito e feito a propósito do assalto a Tancos, Marcelo Rebelo de Sousa deve estar a perder a paciência com o ministro.

Na verdade, Azeredo Lopes não precisa do apoio político de Marcelo para continuar no governo mas, quando António Costa fizer uma remodelação, e haverá de fazê-la, o ministro da Defesa estará na linha da frente. É até possível que o próprio já esteja cansado da pasta que lhe calhou. Se não está, disfarça muito bem, porque na entrevista que concedeu ao DN e à TSF há muito pouca coisa que ele assuma como responsabilidade direta sua.

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