As aparições que não ficaram na história

No mundo inteiro, em dois mil anos de história do cristianismo, o Vaticano reconhece apenas 16 aparições de Nossa Senhora. Uma delas é a visão dos três pequenos pastores em Fátima, em 1917. Mas, em Portugal, há relatos de outras aparições da Virgem Maria e videntes que continuam a mobilizar milhares de peregrinos. Uns são apoiados pela Igreja, outros considerados fraudes.

É comum baterem-lhe à porta, no lugar do Barral, uma aldeia no meio das montanhas, em Ponte da Barca. São pessoas que vêm de longe e não a conhecem, mas querem saber histórias sobre o mistério que envolve o seu pai. «Perguntam-me o que aconteceu, como se passou, o que o meu pai viu», diz Matilde Alves, 78 anos, a única filha viva do pastor Severino Alves, a quem, acreditam os padres da paróquia e a população, terá aparecido Nossa Senhora, em 1917, três dias antes de surgir na Cova da Iria a Lúcia dos Santos, Jacinta e Francisco Marto. Antes dos três pastorinhos, outro pastor terá visto a Virgem Maria, que os católicos acreditam ser a mãe de Cristo. «Mas aqui no Barral ninguém se interessou pelo caso», lamenta Matilde.

Quando tinha 10 anos, guardava gado e rezava o terço todos os dias, Severino garante que viu Nossa Senhora numa ramada. Estávamos a 10 de maio de 1917. A notícia circulou pela aldeia, mas o acontecimento acabou por ficar esquecido. Depois do 25 de Abril de 1974, a Igreja Católica decidiu investigar o relato para saber se valia a pena iniciar o processo eclesiástico de reconhecimento da aparição. «Fui a casa do pastor, já adulto, e gravei duas cassetes com o que ele contou e entreguei-as ao bispo de Viana do Castelo», diz José Augusto Pedreira, que em 1978 fora encarregue por D. Júlio Tavares Rebimbas de recolher a versão do vidente. «Não me pareceu que fosse invenção. Mas depois não se avançou mais.» Na altura era sacerdote mas em 1982 tornou-se também bispo da mesma diocese. «Na minha opinião houve qualquer coisa fora do comum. Mas não se desenvolveu um processo pois havia debilidade na mensagem. Por razões de natureza humana ou sobrenaturais, o fenómeno não teve continuidade», como sucedeu na Cova da Iria.

«Desde que Fátima foi aprovada seria muito difícil outra situação destas em Portugal ter a concordância do Vaticano», diz o antropólogo Aurélio Lopes, autor do livro Videntes e Confidentes [ed. Cosmos] sobre as aparições da Cova da Iria. Para a Igreja estes «milagres» têm de ser raros, para não se banalizarem. «E mesmo Fátima demorou alguns anos a ser aprovado.»

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