Trump põe à prova segurança e leva caos à Quinta Avenida

Secret Service estabeleceu uma zona de exclusão aérea sobre a Trump Tower. Trânsito está cortado à volta e quem entra é controlado.
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Candidatos a um lugar na nova administração, líderes mundiais - até agora, Nigel Farage, do UKIP, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe -, manifestantes, membros da família Trump e, claro, o próprio presidente eleito. Todos entraram e saíram da Trump Tower nos últimos dias, tornando mais caótico o já infernal trânsito na Quinta Avenida de Nova Iorque e constituindo um verdadeiro pesadelo para a polícia nova-iorquina e para o Secret Service, a agência federal encarregada da segurança do presidente e dos candidatos à Casa Branca.

A viver na penthouse do 58.º andar da torre que mandou construir em 1983, Trump montou no seu escritório do 26.º andar - para onde se desloca diariamente através de um elevador privado decorado com ouro e diamantes - o quartel-general da equipa de transição que prepara a sua mudança para a Casa Branca. E enquanto não se muda para a residência oficial do presidente, em Washington, a 20 de janeiro, o republicano obriga os serviços secretos a garantir a sua segurança num local pouco comum: um edifício público, onde funcionam lojas, escritórios e apartamentos, numa das avenidas mais concorridas de uma grande cidade.

"Nunca tivemos uma situação em que o presidente dos EUA aqui estivesse com tanta regularidade", afirmou aos media Bill de Blasio, o presidente da Câmara de Nova Iorque, depois de uma visita a Trump na Trump Tower. De facto, o presidente eleito já deixou claro que tenciona estar na Casa Branca apenas durante a semana, indo passar os fins de semana a Nova Iorque ou a um dos seus resorts, como Mar-a-Lago, na Florida.

Com direito a proteção do Secret Service desde novembro de 2015, quando a pediu ao Departamento de Segurança Nacional, após a sua vitória nas presidenciais de 8 de novembro Trump passou a estar também sob a alçada da polícia de Nova Iorque. As autoridades estabeleceram uma zona de exclusão aérea sobre a zona de Manhattan onde fica a Trump Tower. E todo o quarteirão onde se situa a torre está cortado ao trânsito. Para passar, qualquer veículo - sejam os táxis ou os camiões de entregas - tem de ser primeiro revistado pelo Secret Service.

Fundado em 1865 para lutar contra os falsificadores de moeda, o Secret Service passou a partir de 1901, e do assassínio de William McKinley, a ser responsável pela segurança dos presidentes. Hoje, os agentes protegem não só o chefe do Estado, mas também o vice-presidente, as suas famílias, os antigos inquilinos da Casa Branca e também os altos responsáveis estrangeiros que visitem os EUA. Ao todo, o Secret Service conta com cerca de 3200 agentes.

Em declarações à rádio CBC, Joseph Giacalone, sargento reformado da polícia de Nova Iorque, deixou o alerta aos nova-iorquinos para se habituarem a um caos que promete durar pelo menos quatro anos - "ou talvez mesmo oito". E acrescentou: "Temos uma Casa Branca na Quinta Avenida, vamos ter de aprender a lidar com isso."

E não é só a quem passa na Quinta Avenida que a segurança do presidente eleito obrigou a mudar rotinas. No interior da Trump Tower, quem entra vai ter de se habituar a passar pelos detetores de metais e aos controlos de identidade.

Para já, o reforço da segurança ainda não bloqueou totalmente o acesso à Trump Tower. E se alguém tem dúvidas, basta olhar para as fotografias de Robert Burck, o famoso cowboy nu de Times Square, em cuecas no lóbi do edifício.

Jantar em família

Além das aparições ao lado de Farage e Abe, Trump tem mantido a discrição desde a sua vitória nas presidenciais. Quebrando a tradição de os presidentes eleitos serem acompanhados a todo o momento por um grupo de jornalistas, o milionário do imobiliário decidiu na terça-feira fintar os fotógrafos para um jantar em família. Depois de a sua equipa comunicar à imprensa que a sua agenda estava encerrada, o presidente eleito deixou a Trump Tower com a mulher, Melania, os filhos Donald Jr., Eric e Ivanka, acompanhada do marido, Jared Kushner. Os seis dirigiram-se ao 21 Club, um restaurante na Rua 52, a apenas quatro quarteirões da torre com o apelido da família. Os media denunciaram a "falta de transparência" do presidente eleito. Mas Trump foi apenas Trump, depois de já ter fintado a imprensa na visita à Casa Branca.

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Desta vez o presidente eleito parece ter querido ir em paz comer bifes a um dos seus restaurantes preferidos, onde, segundo o The New York Times, tem mesa reservada. "Esta não é uma situação normal. Temos aqui uma pessoa que era um nova-iorquino comum, que fazia a sua vida em Nova Iorque, e agora é o presidente eleito", explicou ao diário o fotógrafo de celebridades Patrick McMullan.

Encontro de inimigos

Durante a campanha eleitoral, Mitt Romney, o ex-governador do Massachusetts que em 2012 perdeu as presidenciais para Barack Obama, foi um dos maiores críticos de Donald Trump, a quem chamou "falso", "racista" e "misógino". Trump respondeu à altura, recordando que há quatro anos Romney "parecia um cão engasgado" durante a corrida à Casa Branca. Ontem, foi com um "Senhor presidente eleito, como está?" que Romney cumprimentou Trump num dos seus resorts de luxo e campo de golfe, em Nova Jérsia. O milionário respondeu: "Como está o senhor?" E apertaram as mãos antes de Trump pôr a mão nas costas de Romney e os dois entrarem no edifício com o vice-presidente eleito, Mike Pence.

Este volte-face dos dois homens surge entre rumores de que Trump se prepararia para oferecer a Romney o cargo de secretário de Estado na sua administração.

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