Merkel sugere que a Europa já não pode contar com os EUA

"Temos que pegar no nosso destino com as nossas próprias mãos", disse a chanceler alemã

Merkel deixou claro que a Europa não pode, neste momento, contar com os Estados Unidos liderados por Donald Trump. Apesar de não ter mencionado especificamente o presidente norte-americano nem os EUA, as palavras da chanceler alemã deixam pouca margem para dúvidas. "De certa forma acabaram", disse Merkel, referindo-se aos dias em que a Europa podia contar com outros. "Foi isso que experienciei nos últimos dias. E é por isso que digo que nós, europeus, temos que pegar no nosso destino com as nossas próprias mãos", frisou ainda a líder germânica.

As declarações da chanceler foram feitas neste domingo, numa cervejaria em Munique, durante uma ação da campanha dos conservadores da CDU. "Antes de Trump, raramente houve um sentimento tão forte entre os líderes europeus no sentido de que têm que virar costas a Washington e enfrentar o mundo sozinhos", pode ler-se no The Washington Post.

Os últimos dias de Angela Merkel foram passados na companhia de Donald Trump. Primeiro em Bruxelas, na quinta-feira, na cerimónia de inauguração do novo quartel-general da NATO. E depois em Itália, durante a cimeira do G7. O presidente norte-americano, apesar de ter voltado atrás com o que tinha afirmado, deixando de classificar a organização militar como obsoleta, foi muito crítico para com os parceiros, exigindo que todos passem a cumprir com o compromisso de destinar 2% do PIB para despesas militares. Dos 28 países-membros apenas cinco o fazem: EUA, Reino Unido, Polónia, Grécia e Estónia.

Na reunião do G7, na Sicília, Trump também acabou por arrefecer o clima entre os aliados, ao não se comprometer com uma declaração comum sobre as alterações climáticas. O presidente norte-americano pediu um tempo para pensar, garantindo depois no Twitter que só durante a próxima semana tomará uma decisão sobre a continuidade dos EUA no Acordo de Paris.

"Toda a discussão sobre o clima foi muito difícil, para não dizer desagradável. Não sabemos se os EUA vão continuar no Acordo de Paris ou não", afirmou Angela Merkel em declarações aos jornalistas. "Houve argumentos muito diferentes que todos apresentámos para tentar convencer o presidente a manter os EUA no acordo sobre o clima", disse ainda a chanceler alemã. Mas Donald Trump resistiu às pressões dos restantes membros do G7 (Canadá, França, Itália, Japão, Reino Unido e Alemanha) e da União Europeia e não se comprometeu.

O presidente norte-americano, por seu turno, partilhou no Twitter uma visão diferente do périplo europeu. "Acabado de chegar da Europa. A viagem foi um grande sucesso. Trabalho duro, mas grandes resultados!", escreveu Donald Trump na referida rede social.

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