Editora francesa suspende publicação de livro sobre "fascismo islâmico"

A edição em língua inglesa está esta sexta-feira no 'top' de vendas no Amazon francês

Editor assume que não pode previr "os riscos da publicação de tal livro"

Um editor francês decidiu suspender e renunciar da publicação do livro "O fascismo islâmico", obra de um autor alemão de origem egípcia, Hamed Abdel-Samad, que tinha lançamento previsto em França para 16 de setembro, foi hoje divulgado.

"Não consigo medir os riscos da publicação de tal livro" nomeadamente em matéria de segurança, explicou Jean-Marc Loubet, diretor da editora parisiense Piranha, em declarações à agência noticiosa francesa AFP.

A editora adquiriu os direitos deste livro há dois anos, altura em que a editora especializada em literatura estrangeira foi lançada no mercado. Agora decidiu renunciar dos direitos.

"Há dois anos parecia um livro interessante, embora não partilhássemos necessariamente dos mesmos pontos de vista. Mas isso foi antes do Charlie Hebdo, antes de Nice [dois dos vários atentados 'jihadistas' que atingiram a França no último ano e meio]", afirmou.

"A necessidade de justificar o ódio pelos muçulmanos que surgiu após o atentado de Nice poderia ter ecos neste livro", acrescentou Jean-Marc Loubet.

O editor indicou ter recebido muitas "mensagens insultuosas" de apoiantes da extrema-direita, descontentes com a suspensão do lançamento deste livro que poderia gerar uma vaga de anti-islamismo.

A obra, publicada na Alemanha em 2014, foi traduzida para a língua inglesa no início do ano.

A versão em inglês estava hoje na liderança das vendas dos livros em língua estrangeira na página francesa do 'site' de compras 'online' Amazon.

O livro, que estabelece um paralelo entre o islamismo e o fascismo, teve um êxito considerável na Alemanha, mas também foi criticado por não fundamentar suficientemente os argumentos.

Com 44 anos, filho de um imã egípcio, Hamed Abdel-Samad é um antigo membro da Irmandade Muçulmana. Muito crítico do Islão, o autor recebeu diversas ameaças de morte e foi colocado na Alemanha sob proteção policial.

Hamed Abdel-Samad, que nunca teve qualquer contacto direto com Jean-Marc Loubet, lamentou a decisão do editor parisiense.

"Voltaire devia dar voltas no túmulo se soubesse como é tratada a tolerância e a liberdade de expressão no seu país 230 anos depois da sua morte", escreveu o autor no seu blogue pessoal.

Apesar desta decisão, o livro de Hamed Abdel-Samad pode ainda vir a ser publicado em francês.

"Pelo menos duas editoras estão disponíveis para adquirir os direitos", assegurou Loubet, que investiu cerca de 12 mil euros na aquisição dos direitos.

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